Domingo XII do Tempo Comum (Ano A)

Caros irmãos e irmãs,

No Evangelho de hoje, Jesus repete três vezes: “Não tenhais medo.” É uma palavra que continua muito atual. Vivemos rodeados de preocupações, incertezas e receios acerca do futuro. Mas Cristo recorda-nos que a nossa vida está nas mãos do Pai.

A imagem mais bela deste Evangelho é talvez esta: “Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados.”Não significa apenas que Deus sabe tudo sobre nós. Significa que Deus cuida de nós com uma atenção infinita. Nada da nossa vida lhe é indiferente. As nossas alegrias, as nossas lágrimas, os nossos esforços escondidos, as nossas lutas interiores: tudo é conhecido e amado por Deus.

Por isso, o cristão não vive dominado pelo medo. A confiança nasce da certeza de que somos preciosos aos olhos do Senhor. Se Deus cuida dos pequenos pardais, quanto mais cuidará de cada um de nós, seus filhos.

Jesus convida-nos também a não ter vergonha de O reconhecer diante dos homens. Num mundo onde a fé é muitas vezes posta de lado, somos chamados a testemunhar Cristo com simplicidade, coragem e coerência, não apenas com palavras, mas sobretudo com a nossa vida.

Peçamos hoje a graça de confiar mais na providência de Deus. Quando surgirem as dificuldades, lembremo-nos desta palavra consoladora: até os cabelos da nossa cabeça estão contados. Somos conhecidos, amados e acompanhados pelo Pai. E quem vive nas mãos de Deus não tem nada a temer.

Ámen.

Domingo XI do Tempo Comum (Ano A)

 Mt 9, 36 – 10, 8

Caros irmãos e irmãs,

No Evangelho de hoje, São Mateus diz-nos que Jesus, ao ver as multidões, sentiu compaixão, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. A primeira atitude de Jesus não é julgar, nem condenar: é olhar com amor e misericórdia.

Esta compaixão leva-O a dizer aos discípulos: “A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos.”E depois envia-os em missão. Antes de enviar, Jesus vê; antes de pedir, ama; antes de mandar anunciar, compadece-Se do sofrimento das pessoas.

Há uma pequena história que ilustra isto. Conta-se que um homem caminhava por uma praia depois de uma tempestade. Milhares de estrelas-do-mar tinham ficado presas na areia. Um rapaz apanhava-as uma a uma e devolvia-as ao mar. O homem disse-lhe: “São tantas! Não vais conseguir fazer diferença.” O rapaz lançou mais uma estrela à água e respondeu: “Para esta, fez toda a diferença.”

Também nós podemos pensar que os problemas do mundo são demasiado grandes. Mas Jesus não nos pede que resolvamos tudo. Pede-nos que sejamos sinais do seu amor junto de quem está ao nosso lado: na família, no trabalho, na paróquia, junto de quem sofre ou se sente sozinho.

O Senhor continua hoje a chamar trabalhadores para a sua seara: sacerdotes, religiosos, missionários, mas também cada baptizado. Todos somos enviados a levar esperança, paz e o testemunho do Evangelho.

Peçamos nesta Eucaristia a graça de ter o olhar compassivo de Jesus e a disponibilidade dos Apóstolos, para que, onde estivermos, possamos fazer a diferença na vida de alguém.

Ámen.

Domingo X do Tempo Comum (Ano A)

Caros irmãos e irmãs,

No Evangelho de São Mateus (9, 9-13), vemos Jesus a passar e a chamar um homem que estava sentado na coletoria de impostos: Mateus. Ele não estava à procura de alguém perfeito, nem de alguém já preparado. Jesus simplesmente diz-lhe: “Segue-me”. E Mateus levanta-se e segue-O.

Este gesto é profundamente revelador. Mateus era um publicano, alguém visto como pecador, afastado da vida religiosa e social do seu povo. E, no entanto, é precisamente ele que Jesus escolhe. Isto mostra-nos que a vocação cristã não nasce de mérito, mas de um encontro com a misericórdia de Deus.

Depois, vemos Jesus sentado à mesa com publicanos e pecadores. Os fariseus escandalizam-se. Mas Jesus responde com palavras que são chave para a nossa vida espiritual: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Quero misericórdia e não sacrifícios”.

Aqui está o coração do Evangelho: Deus não se afasta do pecador, mas aproxima-se dele para o curar. E nós somos convidados a reconhecer que também precisamos dessa cura. Não somos chamados por sermos justos, mas para nos tornarmos justos através da graça.

A grande pergunta que este Evangelho nos deixa é simples: estamos nós dispostos a levantar-nos, como Mateus, e seguir Jesus, deixando para trás aquilo que nos prende? E também: somos nós capazes de olhar para os outros com o mesmo olhar de misericórdia de Cristo, em vez de julgamento?

Que esta Eucaristia nos ajude a ouvir de novo a voz de Jesus: “Segue-me”, e a responder com confiança, como Mateus, deixando-nos transformar pela Sua misericórdia.

Amen.

Santíssima Trindade (Ano A)

Caríssimos irmãos e irmãs,

No Evangelho de hoje encontramos uma das frases mais belas e profundas de toda a Sagrada Escritura: “Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna.”

Na Solenidade da Santíssima Trindade, a Igreja convida-nos a contemplar o mistério de Deus. Não um problema para resolver, mas um amor para acolher. Deus não é solidão; Deus é comunhão. O Pai ama, o Filho é enviado por amor, e o Espírito Santo derrama esse amor nos nossos corações.

Jesus revela-nos que a iniciativa é sempre de Deus. Não foi a humanidade que procurou primeiro Deus; foi Deus que veio ao encontro da humanidade. O Pai não enviou o Filho para condenar o mundo, mas para o salvar. Esta é a grande notícia do Evangelho: Deus olha para cada pessoa com misericórdia e deseja a sua salvação.

Ao mesmo tempo, Jesus recorda-nos que a fé exige uma resposta. Deus respeita a nossa liberdade. Quem acolhe Cristo entra na vida nova; quem O rejeita fecha-se ao dom que Deus lhe oferece. A condenação não vem de Deus, mas da recusa do seu amor.

Celebrar a Santíssima Trindade é, por isso, mais do que professar uma verdade da fé. É deixar-nos envolver por este amor divino e procurar vivê-lo nas nossas relações. Nas famílias, nas comunidades e no mundo, somos chamados a ser reflexo da comunhão de amor que existe entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Que ao fazermos hoje o sinal da cruz — em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo — recordemos que fomos mergulhados neste mistério de amor e que a nossa vocação é viver como filhos amados de Deus e testemunhas do seu Evangelho.

Domingo de Pentecostes (Ano A)

Irmãos e irmãs,

No Evangelho deste Domingo de Pentecostes, encontramos os discípulos fechados em casa, com medo, desanimados e sem horizonte. E é precisamente nesse ambiente de medo que Jesus ressuscitado aparece no meio deles e diz: “A paz esteja convosco.”

Pentecostes começa assim: não com pessoas perfeitas, mas com homens frágeis que recebem um dom novo. Jesus não lhes tira imediatamente os problemas, mas dá-lhes o Espírito Santo. O Espírito transforma o coração: onde havia medo, nasce coragem; onde havia divisão, nasce comunhão; onde havia tristeza, nasce esperança.

Depois, Jesus sopra sobre eles e diz: “Recebei o Espírito Santo.” Este gesto recorda o sopro de Deus na criação do homem. É como se Cristo inaugurasse uma nova criação. O Espírito Santo não é apenas uma força ou uma emoção; é a presença viva de Deus em nós, que renova a Igreja e renova cada cristão.

E reparemos: o primeiro fruto do Espírito é a paz. Não uma paz superficial, mas a certeza de que Deus está connosco, mesmo nas dificuldades. O cristão cheio do Espírito não vive fechado no medo, mas aberto à missão, ao perdão e ao amor.

Hoje, também nós precisamos deste Pentecostes. Há tantos corações fechados, tantas famílias feridas, tanta falta de esperança. O Espírito Santo continua a ser derramado sobre a Igreja para nos tornar testemunhas de Cristo no mundo.

Peçamos então, nesta Eucaristia:
Vinde, Espírito Santo! Abri os nossos corações, renovai a nossa fé e fazei de nós instrumentos da paz de Cristo.

Ámen.

Ascensão do Senhor (Ano A)

Irmãos e irmãs,

No Evangelho de hoje, Jesus ressuscitado encontra-se com os discípulos no monte da Galileia. Alguns adoram-n’O, outros ainda duvidam. E isto é profundamente humano: a fé nem sempre elimina imediatamente todas as dúvidas. Mesmo assim, Jesus confia-lhes a maior missão da história: “Ide e fazei discípulos de todas as nações”.

A Ascensão do Senhor não significa que Jesus se afastou do mundo. Pelo contrário: Ele entra plenamente na glória do Pai para permanecer connosco de uma forma nova. Por isso termina dizendo: “Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos.”

Esta é a grande esperança da Igreja. Não caminhamos sozinhos. Cristo acompanha-nos nas alegrias e nas dificuldades, na missão e no cansaço, na família, no trabalho e na comunidade.

A Ascensão também nos recorda que a nossa vida tem um destino alto. Não fomos criados apenas para as coisas passageiras. O céu é a nossa meta. Mas enquanto caminhamos para o céu, Jesus envia-nos à terra: para testemunhar o Evangelho com palavras simples, com caridade concreta, com perdão, com verdade e com esperança.

Hoje, cada baptizado recebe novamente este envio: ser testemunha de Cristo no meio do mundo.

Que Maria, Senhora da Ascensão e Mãe da Igreja, nos ajude a viver com os pés na terra e o coração no céu.

Ámen.

Domingo VI da Páscoa (Ano A)

No Evangelho deste VI Domingo da Páscoa, Jesus deixa aos discípulos uma palavra que une amor, fidelidade e esperança:
“Se Me amais, guardareis os meus mandamentos.”

O amor cristão não é apenas sentimento ou emoção passageira. Amar Jesus significa viver como Ele viveu: perdoar, servir, permanecer na verdade, cuidar dos outros, especialmente dos mais frágeis. A fé torna-se concreta nas escolhas do dia a dia.

Mas Jesus conhece a fragilidade do coração humano. Por isso promete: “Não vos deixarei órfãos.” Ele anuncia o dom do Espírito Santo, o Espírito da Verdade, que permanece connosco e nos fortalece. Os discípulos irão enfrentar medo, perseguição e dúvidas, mas não caminharão sozinhos.

Também nós, tantas vezes, sentimos incerteza diante das dificuldades da vida, da família, da sociedade ou da própria fé. Este Evangelho recorda-nos que Cristo ressuscitado continua presente no meio do seu povo. O Espírito Santo ajuda-nos a reconhecer essa presença e a viver com coragem.

A grande promessa de Jesus é esta: “Eu vivo e vós vivereis.” A Páscoa não é apenas a memória de um acontecimento passado; é uma vida nova que começa já agora. Quem permanece unido a Cristo descobre que o amor é mais forte do que o medo, o pecado e até a própria morte.

Peçamos hoje ao Senhor a graça de um coração fiel: um coração que O ame não só com palavras, mas com a vida; um coração aberto ao Espírito Santo; um coração capaz de testemunhar a alegria da Ressurreição no meio do mundo.

Ámen.

Domingo V da Páscoa (Ano A)

Queridos irmãos e irmãs,

No Evangelho de hoje (Jo 14,1-12), Jesus diz-nos: “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende também fé em Mim… Eu sou o caminho, a verdade e a vida.”

Estas palavras foram ditas num momento difícil. Jesus sabia que os discípulos estavam com medo e confusos. Por isso, Ele não lhes dá explicações complicadas — dá-lhes uma certeza: “Não tenham medo. Confiai em Mim.”

Uma criança estava a viajar com o pai num comboio durante a noite. Lá fora estava tudo escuro, e o comboio passava por túneis longos e assustadores. A criança, com medo, perguntou ao pai: “Pai, como sabes que estamos no caminho certo se não vemos nada?”

O pai sorriu e respondeu: “Confio no maquinista. Ele conhece o caminho, mesmo quando nós não vemos.”

Assim também é na nossa vida. Muitas vezes não vemos claramente o caminho. Há dúvidas, dificuldades, momentos de escuridão. Mas Jesus diz-nos: “Eu sou o caminho.” Não é apenas alguém que nos mostra o caminho — Ele próprio é o caminho.

Seguir Jesus não significa ter todas as respostas, mas confiar n’Ele, mesmo quando não entendemos tudo. Como a criança confia no maquinista, também nós somos chamados a confiar em Cristo.

E mais ainda: Jesus diz que vai preparar-nos um lugar. Isto lembra-nos que a nossa vida não termina aqui. Há uma casa, há um destino, há um futuro em Deus.

Por isso, neste tempo pascal, renovemos a nossa fé. Não deixemos que o medo ou a dúvida dominem o nosso coração. Caminhemos com Jesus, confiando que Ele nos conduz, passo a passo, até ao Pai.

Ámen.

Domingo IV do Tempo Pascal

Domingo do Bom Pastor (São João 10, 1-10)

Neste IV Domingo da Páscoa, conhecido como o Domingo do Bom Pastor, a Palavra de Deus apresenta-nos Jesus Cristo como aquele que cuida, chama e conduz as suas ovelhas. No Evangelho de Evangelho de São João (10, 1-10), Jesus diz-nos: “Eu sou a porta das ovelhas”. Ele não é um estranho, não força a entrada, mas chama cada um pelo nome e guia com amor.

Ser pastor, à maneira de Cristo, não é dominar, mas servir; não é mandar, mas dar a vida. Jesus conhece-nos profundamente, sabe das nossas alegrias e das nossas feridas, e continua a chamar-nos a segui-Lo com confiança.

Um menino perdeu-se numa aldeia e começou a chorar, rodeado de estranhos que tentavam ajudá-lo. Ninguém conseguia acalmá-lo. Até que, de repente, ouviu uma voz familiar ao longe. Era o seu pai. O menino levantou a cabeça, reconheceu a voz e correu na sua direção, seguro e tranquilo. Não precisou de explicações — bastou reconhecer quem o amava.

Assim é connosco. No meio de tantas vozes do mundo, somos chamados a reconhecer a voz do verdadeiro Pastor. Só Ele nos conduz à vida em plenitude.

Neste dia, a Igreja convida-nos também a rezar pelas vocações: sacerdotais, religiosas e missionárias. Precisamos de homens e mulheres que escutem a voz do Senhor e tenham coragem de dizer “sim”.

Peçamos ao Senhor:

que continue a chamar muitos para O servir na Igreja; 

que os jovens tenham coração disponível para escutar; 

e que todos nós sejamos, à nossa medida, sinais do Bom Pastor para os outros. 

Que Jesus Cristo, o Bom Pastor, nos conduza sempre e nos dê vida em abundância.

Domingo III da Pascoa (Ano A)

Irmãos e irmãs,

O Evangelho de hoje coloca-nos a caminho com dois discípulos desiludidos. Iam para Emaús com o coração pesado, porque as suas esperanças pareciam ter morrido com Jesus. E, no entanto, é precisamente nesse caminho de fuga, de dúvida e de tristeza, que o Senhor ressuscitado se aproxima.

Também nós, muitas vezes, fazemos este caminho: quando algo falha, quando a fé esmorece, quando não compreendemos os acontecimentos. Pensamos que Deus está ausente. Mas o Evangelho recorda-nos: Jesus caminha connosco, mesmo quando não O reconhecemos.

Primeiro, Ele escuta. Pergunta: “Que palavras são essas que trocais pelo caminho?” Deus não impõe, escuta o nosso coração. Depois, ilumina: explica as Escrituras e dá sentido ao sofrimento. E, finalmente, revela-Se ao partir do pão.

É aqui que tudo muda. Os discípulos dizem: “Não ardia o nosso coração?” O encontro com Cristo transforma a tristeza em alegria, a fuga em missão. Levantam-se e regressam a Jerusalém.

Este é o caminho cristão:

• Caminhar com Jesus, mesmo sem O reconhecer; 

• Deixar que a Sua Palavra aqueça o nosso coração; 

• Encontrá-Lo na Eucaristia; 

• E voltar, com alegria, para anunciar que Ele está vivo. 

Peçamos hoje a graça de O reconhecer na nossa vida, especialmente quando pensamos que Ele está distante. Porque Ele nunca deixou de caminhar ao nosso lado.

Amen