Hoje, Jesus apresenta-nos a parábola do trigo e do joio (Mt 13, 24-43). À primeira vista, os servos querem arrancar imediatamente o joio. Mas o dono do campo responde: “Não. Deixai crescer um e outro até à ceifa.”
Esta resposta revela a paciência de Deus. Nós, muitas vezes, queremos soluções rápidas: eliminar tudo o que está mal, julgar as pessoas ou desistir quando vemos o pecado ou a injustiça. Deus, porém, conhece o coração humano. Ele sabe que há pessoas que ainda podem mudar, crescer e dar fruto.
O campo é o mundo, mas também é o nosso coração. Em cada um de nós há trigo e há joio: gestos de bondade e fraquezas, generosidade e egoísmo. A Palavra de Deus convida-nos não a olhar primeiro para o joio dos outros, mas a cuidar do trigo que Deus quer fazer crescer em nós.
Um avô passeava com o neto pelo seu jardim. O rapaz perguntou:
— Avô, porque é que não arrancas todas as ervas daninhas hoje?
O avô sorriu e respondeu:
— Porque algumas estão tão perto das flores que, se as arrancar agora, levo também as raízes das flores. É melhor esperar um pouco, cuidar das plantas e, no tempo certo, será mais fácil distinguir umas das outras.
O neto percebeu que a paciência também faz parte do amor.
Assim é Deus connosco. Ele não desiste de ninguém. Dá-nos tempo para nos convertermos, para mudarmos de vida e para deixarmos que o trigo da santidade cresça.
Peçamos hoje ao Senhor a graça de sermos pacientes com os outros, exigentes connosco próprios e confiantes na misericórdia de Deus, que nunca deixa de acreditar que podemos dar bom fruto.
Ámen.


