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Domingo XV do Tempo Comum (Ano A)

Irmãos e irmãs,

No Evangelho de hoje, Jesus apresenta-nos uma imagem muito simples e muito próxima da vida: um semeador que lança a semente. O curioso é que o semeador não escolhe apenas a terra boa; lança a semente por toda a parte. Assim é Deus. A sua Palavra é oferecida a todos, sem distinção. A diferença não está na semente, que é sempre boa, mas no terreno onde ela cai: o nosso coração.

Há uma pequena história que ilustra bem esta mensagem.

Um avô gostava de cultivar um pequeno jardim. Certo dia, o neto perguntou-lhe porque passava tanto tempo a arrancar ervas daninhas. O avô respondeu: “Se eu deixar crescer as ervas, elas roubam a força às flores. As sementes são boas, mas precisam de espaço para crescer.”

O mesmo acontece connosco. Deus semeia diariamente a sua Palavra no nosso coração, mas muitas vezes ele está cheio de preocupações, ressentimentos, pressas, distrações ou excesso de confiança em nós próprios. A Palavra entra, mas não encontra espaço para criar raízes.

A boa notícia é que nenhum terreno está condenado a permanecer estéril. Um coração duro pode tornar-se acolhedor; um coração distraído pode aprender a escutar; um coração cheio de espinhos pode ser limpo pela graça de Deus. A conversão é precisamente este trabalho paciente de preparar a terra.

Hoje Jesus não nos pergunta: “Que tipo de semente recebeste?” A semente é sempre a mesma. Pergunta-nos antes: “Que tipo de terreno és tu neste momento?”

Peçamos ao Senhor que nos conceda um coração bom e generoso, capaz de escutar a sua Palavra, guardá-la e fazê-la dar fruto nas nossas famílias, no trabalho, na comunidade e na vida de cada dia. Que cada um de nós possa ser essa terra boa que produz fruto, “cem, sessenta ou trinta por um”.

Ámen.

Bênção das crianças

Hoje, sábado e dia quinto das novenas de Nossa Senhora do Carmo foi dia de bênçãos das crianças e imposição do Santo Escapulário na igreja do Carmo do Funchal – Ilha da Madeira.

Pelas 10:30 congregou-se um pequeno grupo de crianças que conduziu com cânticos e preces a coroinha da Senhora do Carmo, e também construiu para a Mãe uma bela coroa de louvor e gratidão.

E que bela coroa de Nossa Senhora do Carmo são as nossas crianças!

Com as suas vozes pequeninas elas disseram-nos que aos olhos da Mãe todos somos beleza e formosura quando nos parecemos a Ela.

Logo depois, o pregador das novenas e o prior da comunidade impuseram as mãos a todos os meninos e meninas, após o que os consagraram todos eles e suas famílias à Senhora do Carmo.

E depois os três sacerdotes presentes revestiram e consagraram toda a assembleia com o hábito ou bentinho carmelita, sinal de união à Mãe.

Depois da pregação da manhã, da bênção das crianças e imposição do santo escapulário, o dia continua às 16:30 com a apresentação no Carmo do Funchal do livro Betânia pelo Dr. José Vieira, da escola APEL, e com a presença dos Autores, Verónica Parente e Frei João Costa, e pelas 18:30 concluirá com a celebração da Eucaristia e pregação sobre o Santo Escapulário.

A todos aguardamos e para todos pedimos ao céu as bênçãos da Senhora do Monte Carmelo.
Continuação de santas novenas para todos os filhos do Carmo.

Novena prepara a Festa de Nossa Senhora do Carmo com pregação de Frei João Costa

A Comunidade Carmelita do Funchal inicia, entre os dias 7 e 15 de julho, a tradicional novena de preparação para a Festa de Nossa Senhora do Carmo, que será celebrada no próximo dia 16 de julho.

A novena decorre diariamente na Igreja do Carmo, com início às 18h00, através da Novena Cantada, seguindo-se a celebração da Eucaristia às 18h30. Neste ano, o pregador convidado é Frei João Costa, superior da comunidade carmelita do Convento de Avessadas, no concelho de Marco de Canaveses, que orientará espiritualmente este tempo de preparação para a solenidade mariana.

A Festa de Nossa Senhora do Carmo constitui uma das mais significativas celebrações da espiritualidade carmelita na Madeira, reunindo anualmente numerosos fiéis que participam na novena, na celebração solene da Eucaristia e na tradicional procissão pelas ruas da cidade do Funchal.

A comunidade convida todos os devotos de Nossa Senhora do Carmo e os fiéis em geral a participar neste percurso espiritual de nove dias, que antecede uma das mais importantes festividades do calendário litúrgico carmelita.

Domingo XIII do Tempo Comum (Ano A)

Caríssimos irmãos e irmãs,

O Evangelho que acabámos de escutar apresenta-nos palavras de Jesus que podem parecer exigentes: «Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim.» Mas o Senhor não está a pedir-nos que amemos menos a nossa família. Está, sim, a ensinar-nos que Deus deve ocupar o primeiro lugar na nossa vida. Quando Cristo está no centro do nosso coração, aprendemos também a amar melhor aqueles que nos rodeiam.

Jesus convida-nos ainda a tomar a nossa cruz e a segui-Lo. A cruz não é apenas o sofrimento; é a fidelidade de cada dia. É cumprir os nossos deveres com amor, perdoar quem nos ofendeu, manter a esperança nas dificuldades, servir sem esperar recompensa. É nas pequenas escolhas diárias que mostramos se somos verdadeiramente discípulos de Cristo.

O Evangelho termina com um ensinamento cheio de esperança: «Quem der, ainda que seja um simples copo de água fresca, a um destes pequeninos, não ficará sem recompensa.» Para Deus, nenhum gesto de amor é pequeno. Uma palavra amiga, uma visita a quem está doente, um telefonema a quem vive sozinho, um sorriso sincero ou um acto de perdão têm um valor imenso quando são feitos por amor.

Por isso, deixo-vos um desafio muito concreto para esta semana: todos os dias, façamos um gesto de caridade consciente.Não precisa de ser um gesto extraordinário. Basta que seja feito com generosidade e por amor a Cristo. Talvez ajudar alguém sem que o peçam, escutar com paciência quem precisa de falar, reconciliar-nos com uma pessoa ou dedicar alguns minutos à oração por quem sofre.

Se cada um de nós viver assim o Evangelho, a nossa família será mais unida, a nossa comunidade mais fraterna e a nossa sociedade um pouco mais semelhante ao Reino de Deus.

Peçamos ao Senhor, nesta Eucaristia, a graça de O colocar sempre em primeiro lugar e de O servir com alegria em cada pessoa que encontramos no caminho.

Ámen.

Domingo XII do Tempo Comum (Ano A)

Caros irmãos e irmãs,

No Evangelho de hoje, Jesus repete três vezes: “Não tenhais medo.” É uma palavra que continua muito atual. Vivemos rodeados de preocupações, incertezas e receios acerca do futuro. Mas Cristo recorda-nos que a nossa vida está nas mãos do Pai.

A imagem mais bela deste Evangelho é talvez esta: “Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados.”Não significa apenas que Deus sabe tudo sobre nós. Significa que Deus cuida de nós com uma atenção infinita. Nada da nossa vida lhe é indiferente. As nossas alegrias, as nossas lágrimas, os nossos esforços escondidos, as nossas lutas interiores: tudo é conhecido e amado por Deus.

Por isso, o cristão não vive dominado pelo medo. A confiança nasce da certeza de que somos preciosos aos olhos do Senhor. Se Deus cuida dos pequenos pardais, quanto mais cuidará de cada um de nós, seus filhos.

Jesus convida-nos também a não ter vergonha de O reconhecer diante dos homens. Num mundo onde a fé é muitas vezes posta de lado, somos chamados a testemunhar Cristo com simplicidade, coragem e coerência, não apenas com palavras, mas sobretudo com a nossa vida.

Peçamos hoje a graça de confiar mais na providência de Deus. Quando surgirem as dificuldades, lembremo-nos desta palavra consoladora: até os cabelos da nossa cabeça estão contados. Somos conhecidos, amados e acompanhados pelo Pai. E quem vive nas mãos de Deus não tem nada a temer.

Ámen.

Domingo XI do Tempo Comum (Ano A)

 Mt 9, 36 – 10, 8

Caros irmãos e irmãs,

No Evangelho de hoje, São Mateus diz-nos que Jesus, ao ver as multidões, sentiu compaixão, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. A primeira atitude de Jesus não é julgar, nem condenar: é olhar com amor e misericórdia.

Esta compaixão leva-O a dizer aos discípulos: “A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos.”E depois envia-os em missão. Antes de enviar, Jesus vê; antes de pedir, ama; antes de mandar anunciar, compadece-Se do sofrimento das pessoas.

Há uma pequena história que ilustra isto. Conta-se que um homem caminhava por uma praia depois de uma tempestade. Milhares de estrelas-do-mar tinham ficado presas na areia. Um rapaz apanhava-as uma a uma e devolvia-as ao mar. O homem disse-lhe: “São tantas! Não vais conseguir fazer diferença.” O rapaz lançou mais uma estrela à água e respondeu: “Para esta, fez toda a diferença.”

Também nós podemos pensar que os problemas do mundo são demasiado grandes. Mas Jesus não nos pede que resolvamos tudo. Pede-nos que sejamos sinais do seu amor junto de quem está ao nosso lado: na família, no trabalho, na paróquia, junto de quem sofre ou se sente sozinho.

O Senhor continua hoje a chamar trabalhadores para a sua seara: sacerdotes, religiosos, missionários, mas também cada baptizado. Todos somos enviados a levar esperança, paz e o testemunho do Evangelho.

Peçamos nesta Eucaristia a graça de ter o olhar compassivo de Jesus e a disponibilidade dos Apóstolos, para que, onde estivermos, possamos fazer a diferença na vida de alguém.

Ámen.

Domingo X do Tempo Comum (Ano A)

Caros irmãos e irmãs,

No Evangelho de São Mateus (9, 9-13), vemos Jesus a passar e a chamar um homem que estava sentado na coletoria de impostos: Mateus. Ele não estava à procura de alguém perfeito, nem de alguém já preparado. Jesus simplesmente diz-lhe: “Segue-me”. E Mateus levanta-se e segue-O.

Este gesto é profundamente revelador. Mateus era um publicano, alguém visto como pecador, afastado da vida religiosa e social do seu povo. E, no entanto, é precisamente ele que Jesus escolhe. Isto mostra-nos que a vocação cristã não nasce de mérito, mas de um encontro com a misericórdia de Deus.

Depois, vemos Jesus sentado à mesa com publicanos e pecadores. Os fariseus escandalizam-se. Mas Jesus responde com palavras que são chave para a nossa vida espiritual: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Quero misericórdia e não sacrifícios”.

Aqui está o coração do Evangelho: Deus não se afasta do pecador, mas aproxima-se dele para o curar. E nós somos convidados a reconhecer que também precisamos dessa cura. Não somos chamados por sermos justos, mas para nos tornarmos justos através da graça.

A grande pergunta que este Evangelho nos deixa é simples: estamos nós dispostos a levantar-nos, como Mateus, e seguir Jesus, deixando para trás aquilo que nos prende? E também: somos nós capazes de olhar para os outros com o mesmo olhar de misericórdia de Cristo, em vez de julgamento?

Que esta Eucaristia nos ajude a ouvir de novo a voz de Jesus: “Segue-me”, e a responder com confiança, como Mateus, deixando-nos transformar pela Sua misericórdia.

Amen.

Santíssima Trindade (Ano A)

Caríssimos irmãos e irmãs,

No Evangelho de hoje encontramos uma das frases mais belas e profundas de toda a Sagrada Escritura: “Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna.”

Na Solenidade da Santíssima Trindade, a Igreja convida-nos a contemplar o mistério de Deus. Não um problema para resolver, mas um amor para acolher. Deus não é solidão; Deus é comunhão. O Pai ama, o Filho é enviado por amor, e o Espírito Santo derrama esse amor nos nossos corações.

Jesus revela-nos que a iniciativa é sempre de Deus. Não foi a humanidade que procurou primeiro Deus; foi Deus que veio ao encontro da humanidade. O Pai não enviou o Filho para condenar o mundo, mas para o salvar. Esta é a grande notícia do Evangelho: Deus olha para cada pessoa com misericórdia e deseja a sua salvação.

Ao mesmo tempo, Jesus recorda-nos que a fé exige uma resposta. Deus respeita a nossa liberdade. Quem acolhe Cristo entra na vida nova; quem O rejeita fecha-se ao dom que Deus lhe oferece. A condenação não vem de Deus, mas da recusa do seu amor.

Celebrar a Santíssima Trindade é, por isso, mais do que professar uma verdade da fé. É deixar-nos envolver por este amor divino e procurar vivê-lo nas nossas relações. Nas famílias, nas comunidades e no mundo, somos chamados a ser reflexo da comunhão de amor que existe entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Que ao fazermos hoje o sinal da cruz — em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo — recordemos que fomos mergulhados neste mistério de amor e que a nossa vocação é viver como filhos amados de Deus e testemunhas do seu Evangelho.

Domingo de Pentecostes (Ano A)

Irmãos e irmãs,

No Evangelho deste Domingo de Pentecostes, encontramos os discípulos fechados em casa, com medo, desanimados e sem horizonte. E é precisamente nesse ambiente de medo que Jesus ressuscitado aparece no meio deles e diz: “A paz esteja convosco.”

Pentecostes começa assim: não com pessoas perfeitas, mas com homens frágeis que recebem um dom novo. Jesus não lhes tira imediatamente os problemas, mas dá-lhes o Espírito Santo. O Espírito transforma o coração: onde havia medo, nasce coragem; onde havia divisão, nasce comunhão; onde havia tristeza, nasce esperança.

Depois, Jesus sopra sobre eles e diz: “Recebei o Espírito Santo.” Este gesto recorda o sopro de Deus na criação do homem. É como se Cristo inaugurasse uma nova criação. O Espírito Santo não é apenas uma força ou uma emoção; é a presença viva de Deus em nós, que renova a Igreja e renova cada cristão.

E reparemos: o primeiro fruto do Espírito é a paz. Não uma paz superficial, mas a certeza de que Deus está connosco, mesmo nas dificuldades. O cristão cheio do Espírito não vive fechado no medo, mas aberto à missão, ao perdão e ao amor.

Hoje, também nós precisamos deste Pentecostes. Há tantos corações fechados, tantas famílias feridas, tanta falta de esperança. O Espírito Santo continua a ser derramado sobre a Igreja para nos tornar testemunhas de Cristo no mundo.

Peçamos então, nesta Eucaristia:
Vinde, Espírito Santo! Abri os nossos corações, renovai a nossa fé e fazei de nós instrumentos da paz de Cristo.

Ámen.

Ascensão do Senhor (Ano A)

Irmãos e irmãs,

No Evangelho de hoje, Jesus ressuscitado encontra-se com os discípulos no monte da Galileia. Alguns adoram-n’O, outros ainda duvidam. E isto é profundamente humano: a fé nem sempre elimina imediatamente todas as dúvidas. Mesmo assim, Jesus confia-lhes a maior missão da história: “Ide e fazei discípulos de todas as nações”.

A Ascensão do Senhor não significa que Jesus se afastou do mundo. Pelo contrário: Ele entra plenamente na glória do Pai para permanecer connosco de uma forma nova. Por isso termina dizendo: “Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos.”

Esta é a grande esperança da Igreja. Não caminhamos sozinhos. Cristo acompanha-nos nas alegrias e nas dificuldades, na missão e no cansaço, na família, no trabalho e na comunidade.

A Ascensão também nos recorda que a nossa vida tem um destino alto. Não fomos criados apenas para as coisas passageiras. O céu é a nossa meta. Mas enquanto caminhamos para o céu, Jesus envia-nos à terra: para testemunhar o Evangelho com palavras simples, com caridade concreta, com perdão, com verdade e com esperança.

Hoje, cada baptizado recebe novamente este envio: ser testemunha de Cristo no meio do mundo.

Que Maria, Senhora da Ascensão e Mãe da Igreja, nos ajude a viver com os pés na terra e o coração no céu.

Ámen.