Irmãos e irmãs,
No Evangelho de hoje, Jesus apresenta-nos uma imagem muito simples e muito próxima da vida: um semeador que lança a semente. O curioso é que o semeador não escolhe apenas a terra boa; lança a semente por toda a parte. Assim é Deus. A sua Palavra é oferecida a todos, sem distinção. A diferença não está na semente, que é sempre boa, mas no terreno onde ela cai: o nosso coração.
Há uma pequena história que ilustra bem esta mensagem.
Um avô gostava de cultivar um pequeno jardim. Certo dia, o neto perguntou-lhe porque passava tanto tempo a arrancar ervas daninhas. O avô respondeu: “Se eu deixar crescer as ervas, elas roubam a força às flores. As sementes são boas, mas precisam de espaço para crescer.”
O mesmo acontece connosco. Deus semeia diariamente a sua Palavra no nosso coração, mas muitas vezes ele está cheio de preocupações, ressentimentos, pressas, distrações ou excesso de confiança em nós próprios. A Palavra entra, mas não encontra espaço para criar raízes.
A boa notícia é que nenhum terreno está condenado a permanecer estéril. Um coração duro pode tornar-se acolhedor; um coração distraído pode aprender a escutar; um coração cheio de espinhos pode ser limpo pela graça de Deus. A conversão é precisamente este trabalho paciente de preparar a terra.
Hoje Jesus não nos pergunta: “Que tipo de semente recebeste?” A semente é sempre a mesma. Pergunta-nos antes: “Que tipo de terreno és tu neste momento?”
Peçamos ao Senhor que nos conceda um coração bom e generoso, capaz de escutar a sua Palavra, guardá-la e fazê-la dar fruto nas nossas famílias, no trabalho, na comunidade e na vida de cada dia. Que cada um de nós possa ser essa terra boa que produz fruto, “cem, sessenta ou trinta por um”.
Ámen.


