Domingo XXIX do Tempo Comum (Ano C)

Caríssimos irmãos e irmãs em Cristo,

Hoje, a Igreja em todo o mundo celebra o Dia Mundial das Missões — um momento privilegiado para renovarmos o ardor missionário que nasce do nosso batismo. O Papa recorda-nos que “a missão está no coração da fé cristã”, porque não podemos conhecer verdadeiramente Cristo sem sentir o desejo de O dar a conhecer aos outros.

As leituras deste domingo falam-nos, de diferentes formas, desse chamamento universal à missão.
Na primeira leitura, o profeta Isaías recorda-nos que Deus envia os seus servos para anunciar a Boa Nova a todos os povos. O envio é sempre iniciativa de Deus — Ele chama, Ele envia, Ele sustenta.
No Evangelho, Jesus envia os discípulos dois a dois, pedindo-lhes simplicidade, confiança e coragem. Não vão por conta própria, mas em nome d’Aquele que os envia. E a mensagem é clara: “O Reino de Deus está próximo.”

Queridos irmãos,
Ser missionário não é apenas ir para longe — para a África, a Ásia ou a Amazónia — embora isso continue a ser um testemunho admirável e necessário. Ser missionário começa aqui, na nossa paróquia, na nossa família, no nosso local de trabalho. Cada batizado é um enviado, um missionário da esperança no meio do mundo.

Hoje, mais do que nunca, o mundo precisa de testemunhas coerentes, de cristãos que anunciem o Evangelho com a vida e não apenas com palavras. Num tempo em que há tanto ruído, tanta divisão e indiferença, a melhor pregação é a da caridade, da escuta e do serviço humilde.

O Papa Francisco lembrava-nos que a missão não é proselitismo, mas partilha de amor. É deixar que o Espírito Santo fale através de nós. E é também — e muito concretamente — apoio material e espiritual aos missionários que estão nas periferias do mundo. Por isso, neste Dia Mundial das Missões, somos convidados à oração e à generosidade. O ofertório missionário de hoje é um gesto concreto de comunhão com aqueles que anunciam Cristo em terras distantes.

Mas, acima de tudo, que este dia reavive em nós a consciência de que a Igreja existe para evangelizar. Não podemos ficar fechados nas nossas comunidades, satisfeitos com o que já temos. O Evangelho pede movimento, saída, ousadia. Cada um de nós é chamado a ser “discípulo missionário”, como tantas vezes nos disse o Papa Francisco.

Que Maria, a Estrela da Evangelização, nos acompanhe neste caminho.
E que, ao celebrarmos este Dia Mundial das Missões, possamos dizer com o profeta:
“Eis-me aqui, Senhor, envia-me!”

Ámen.