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Domingo III da Quaresma (Ano A)

João 4,5-42

Irmãos e irmãs,

No Evangelho de hoje encontramos Jesus Cristo junto ao poço, em diálogo com Mulher Samaritana. É um encontro simples, mas profundamente transformador. Jesus começa por dizer: “Dá-me de beber.” Aquele que é a fonte da água viva pede água a uma mulher sedenta de sentido, de verdade e de vida.

A sede de Jesus revela algo importante: Deus aproxima-Se de nós na nossa realidade concreta. Ele não espera que sejamos perfeitos. Encontra-nos onde estamos, com a nossa história, as nossas feridas e as nossas buscas.

Depois, Jesus fala da “água viva”, aquela que mata a sede para sempre. Essa água é o próprio dom de Deus: a sua graça, o seu amor, a vida nova que Ele quer fazer brotar dentro de nós. Muitas vezes procuramos saciar a sede do coração em tantas coisas — sucesso, bens, reconhecimento — mas nada disso nos preenche verdadeiramente. Só Deus pode saciar a sede mais profunda do ser humano.

A Mulher Samaritana começa por não compreender, mas pouco a pouco deixa-se tocar pela palavra de Jesus. O encontro transforma-a. Ela deixa o cântaro — símbolo da sua antiga procura — e corre à cidade anunciar: “Vinde ver um homem que me disse tudo o que fiz.” Aquela que era marginalizada torna-se missionária.

Este é também o caminho da Quaresma: encontrar-nos verdadeiramente com Cristo, deixar que Ele ilumine a nossa vida e nos dê a água viva do seu amor. Quando isso acontece, não podemos guardar essa alegria só para nós; somos chamados a partilhá-la.

Peçamos hoje ao Senhor:
que nos dê sede de Deus,
que purifique o nosso coração,
e que faça de cada um de nós testemunhas da água viva que é Ele próprio.

Ámen.

Domingo II da Quaresma (Ano A)

Irmãos e irmãs,

No Evangelho segundo São Mateus 17,1-9, somos levados ao monte da Transfiguração. Jesus revela a sua glória diante de Pedro, Tiago e João: o seu rosto resplandece, as vestes tornam-se brancas, e a voz do Pai proclama: «Este é o meu Filho muito amado… escutai-O.»

Este episódio acontece num momento decisivo. Jesus acabara de anunciar a sua paixão e morte. A Transfiguração não é uma fuga do sofrimento, mas uma luz que prepara os discípulos para a cruz. Antes da descida ao vale da dor, Deus concede-lhes um vislumbre da ressurreição, para que não percam a esperança.

Pedro quer ficar ali, fazer tendas, fixar o momento. Também nós, muitas vezes, gostaríamos de permanecer apenas nas experiências consoladoras da fé. Mas Jesus convida-nos a descer do monte, a segui-Lo no caminho concreto da vida, levando connosco a certeza de que a glória vem depois da entrega.

A mensagem é clara: escutai-O. Escutar Jesus é confiar n’Ele mesmo quando o caminho passa pela cruz. Se O escutarmos, a sua luz transforma também a nossa vida e faz de nós testemunhas de esperança no meio do mundo.

Que esta Eucaristia nos ajude a subir com Cristo ao monte, para depois descer com Ele, renovados e confiantes. Amen.

Igreja do Carmo acolhe retiro de Quaresma dedicado a São João da Cruz

A comunidade Carmelita da Igreja do Carmo, no Funchal, promove no próximo dia 14 de março de 2026, entre as 10h00 e as 15h00, um Retiro de Quaresma subordinado ao tema “Deus Escondido à Procura do Homem Perdido – Quaresma com São João da Cruz”.

A iniciativa propõe um tempo de recolhimento, oração e reflexão espiritual inspirado na doutrina mística de São João da Cruz, pai e mestre da espiritualidade carmelita. Partindo da experiência da “noite” e da busca de Deus na vida interior, o retiro convida os participantes a aprofundar o sentido quaresmal de conversão, silêncio e reencontro com Deus.

A orientação estará a cargo do Pe. Noé Martins, OCD, que conduzirá os momentos de meditação e partilha à luz da tradição do Carmelo.

O retiro decorrerá na Igreja do Carmo, no Funchal, e as inscrições podem ser efetuadas na secretaria.

A organização dirige o convite a todos os fiéis que desejem viver a Quaresma de forma mais intensa, num ambiente de oração e aprofundamento espiritual.

Domingo I da Quaresma (Ano A)

Irmãos e irmãs,

O Evangelho de hoje leva-nos ao deserto, lugar de silêncio, de provação e de encontro com Deus. Jesus, logo no início da sua missão, é tentado. Isto é profundamente consolador para nós: o Filho de Deus não se afasta da nossa condição humana, mas entra nela até ao fim, enfrentando as mesmas lutas que também nós conhecemos.

As tentações apresentadas a Jesus são muito concretas e muito actuais. A primeira é transformar pedras em pão: a tentação de reduzir a vida apenas às necessidades materiais, esquecendo que “nem só de pão vive o homem”. Quantas vezes também nós procuramos segurança apenas no que se pode comprar, possuir ou controlar?

A segunda tentação é a do poder e do prestígio: dominar, impor-se, ser reconhecido. Jesus recusa um caminho fácil e lembra-nos que só a Deus devemos adoração. É um convite a purificar as nossas intenções e a não fazer da fé um meio para benefício pessoal.

A terceira tentação é a de exigir provas de Deus, de O colocar à prova. Jesus responde com confiança humilde: Deus não precisa de ser testado, precisa de ser amado e escutado.

Neste tempo de Quaresma, o Evangelho chama-nos a ir também ao “deserto”: criar espaço para a oração, para a escuta da Palavra e para a conversão do coração. Como Jesus, não estamos sozinhos nas tentações. A Palavra de Deus é a nossa força, e a fidelidade ao Pai é o nosso caminho.

Que esta Eucaristia nos dê a graça de escolher, todos os dias, não o caminho mais fácil, mas o caminho que conduz à vida verdadeira. Amen.

Domingo VI do Tempo Comum (Ano A)

Caros irmãos e irmãs,

No Evangelho de hoje, Jesus diz-nos algo muito importante:

Ele não veio abolir a Lei, mas levá-la à sua plenitude. Ou seja, Jesus não se contenta apenas com o que é exterior; Ele olha para o coração.

A Lei dizia: “Não matarás.”

Mas Jesus vai mais longe e diz-nos que também a raiva, o ódio e a falta de reconciliação  ferem a vida. Quantas vezes não magoamos os outros — e a nós próprios — com palavras duras, com julgamentos, com silêncios cheios de ressentimento?

Por isso, Jesus pede-nos algo muito concreto:

Antes de te aproximares do altar, reconcilia-te.

Deus não quer apenas ritos bem feitos; quer corações reconciliados.

Depois, Jesus fala da verdade:

“Que o vosso sim seja sim, e o vosso não seja não.”

Num mundo onde tantas palavras são vazias, o cristão é chamado a viver com coerência,  verdade e simplicidade.

Este Evangelho recorda-nos que a fé não é apenas cumprir regras, mas viver o amor no dia a dia:

amar sem guardar rancor,

perdoar sem adiar,

falar com verdade e agir com justiça.

Peçamos hoje ao Senhor a graça de um coração novo ,

um coração que perdoa,

que reconcilia,

e que vive segundo o amor de Deus.

Ámen.

Domingo V do Tempo Comum (Ano A)

Sal da Terra e Luz do Mundo

(Mt 5, 13–16)

No Evangelho de hoje, Jesus dirige-Se aos Seus discípulos com palavras simples, mas exigentes: “Vós sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo.” Ele não diz “devereis ser”, mas “sois”. É uma identidade que nasce do encontro com Ele.

O sal não existe para si mesmo. Serve para dar sabor e para conservar. Quando o cristão perde o sabor do Evangelho — quando se acomoda, quando vive uma fé sem compromisso — torna-se, como diz Jesus, inútil. O mundo não precisa de cristãos escondidos ou indiferentes, mas de discípulos que deem sabor à vida com a verdade, a justiça e a caridade.

A luz também não chama a atenção para si. Serve para iluminar, para orientar, para afastar as trevas. Jesus diz que não se acende uma lâmpada para a esconder, mas para colocá-la no alto, a fim de iluminar todos. A nossa fé não pode ficar confinada à igreja ou ao espaço privado; ela deve tornar-se visível nas escolhas do dia-a-dia, no trabalho honesto, no perdão oferecido, na atenção aos mais frágeis.

Ser sal e ser luz não significa fazer coisas extraordinárias, mas viver o ordinário com amor. São pequenos gestos de fidelidade que revelam a presença de Deus no mundo. Quando as nossas obras são boas, não é para nossa glória, mas para que — como diz o Evangelho — “glorifiquem o Pai que está nos Céus.”

Peçamos hoje ao Senhor a graça de não perder o sabor do Evangelho e de não esconder a luz que recebemos no Baptismo. Que a nossa vida seja sinal vivo da presença de Deus, para que outros, ao verem as nossas obras, possam encontrar o caminho que conduz a Ele.

Amen.

Domingo IV do Tempo Comum (Ano A)

Irmãos e irmãs,

O Evangelho que hoje escutámos leva-nos ao monte, lugar privilegiado do encontro com Deus. Jesus sobe ao monte, senta-Se e ensina. Este gesto recorda-nos que Ele fala com autoridade, mas não a autoridade do poder humano: é a autoridade de quem conhece o coração do homem e o coração do Pai. E as primeiras palavras do seu ensinamento são um anúncio de felicidade: “Felizes”.

As Bem-aventuranças não são apenas um conjunto de belas frases espirituais. São o coração do Evangelho e um verdadeiro caminho de vida cristã. Jesus apresenta-nos uma felicidade que não depende das circunstâncias exteriores, mas da relação com Deus. Por isso, Ele chama felizes aqueles que, aos olhos do mundo, parecem frágeis ou derrotados: os pobres, os que choram, os mansos, os perseguidos.

“Felizes os pobres em espírito” — são aqueles que reconhecem que tudo é dom e que não se bastam a si mesmos. Num mundo que valoriza a autossuficiência e o ter, Jesus recorda-nos que só quem confia em Deus pode acolher o Reino. A pobreza em espírito abre espaço para Deus agir na nossa vida.

“Felizes os que choram” — não porque a dor seja desejável, mas porque Deus não é indiferente ao sofrimento humano. Ele está próximo de quem sofre, de quem se deixa tocar pela dor do outro e não endurece o coração. Esta bem-aventurança chama-nos à compaixão e à solidariedade.

“Felizes os mansos” e “os misericordiosos” — num tempo marcado pela agressividade, pelo julgamento rápido e pela falta de perdão, Jesus propõe a mansidão e a misericórdia como força transformadora. Não é fraqueza; é a força de quem ama como Deus ama.

E quando Jesus diz: “Felizes os que têm fome e sede de justiça”, convida-nos a não sermos indiferentes ao mal, à injustiça, à exclusão. A justiça do Evangelho nasce do amor e conduz à paz. Por isso, a paz não é simples ausência de conflitos, mas fruto de corações reconciliados com Deus e entre si.

Por fim, Jesus fala da perseguição. Seguir Cristo pode trazer incompreensão, rejeição e até sofrimento. Mas Ele garante-nos que a fidelidade ao Evangelho nunca é inútil: “é grande a vossa recompensa nos Céus”. A esperança cristã nasce desta certeza.

Irmãos e irmãs, as Bem-aventuranças são exigentes, mas não são impossíveis. São o retrato da vida de Jesus e o caminho da verdadeira felicidade. Peçamos ao Senhor a graça de as viver no quotidiano, para que a nossa vida seja sinal do Reino que já começou e que um dia se manifestará em plenitude.

Ámen.

Domingo III do Tempo Comum (Ano A)

Homilia

Irmãos e irmãs,

O Evangelho que acabámos de escutar marca o início da vida pública de Jesus. Depois da prisão de João Baptista, Jesus retira-se para a Galileia e começa a anunciar a Boa Nova. E a sua primeira palavra é clara, exigente e cheia de esperança:
“Arrependei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus.”

Não é uma ameaça, é um convite. Jesus não começa por condenar, mas por chamar à conversão, isto é, a mudar de mentalidade, a mudar de rumo, a deixar que Deus volte a ser o centro da nossa vida. Converter-se não é apenas deixar o pecado, é sobretudo voltar-se para Deus e confiar n’Ele.

O Evangelho diz-nos que Jesus foi habitar em Cafarnaum, na Galileia dos gentios, terra considerada periférica, misturada, pouco religiosa aos olhos de Jerusalém. E é aí que se cumpre a profecia de Isaías:
“O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz.”

Isto é muito importante para nós. Deus não espera que estejamos perfeitos para vir ao nosso encontro. Jesus começa a sua missão não no centro do poder religioso, mas nas margens. A luz de Cristo nasce precisamente onde parece haver mais escuridão. Também hoje, nas nossas fragilidades, nas nossas dúvidas, nos nossos medos, Cristo quer fazer brilhar a sua luz.

Depois, Jesus chama os primeiros discípulos. Homens simples, pescadores, no meio do seu trabalho quotidiano. Não estavam no templo, estavam na vida real. E Jesus diz-lhes:
“Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens.”

E o Evangelho sublinha algo impressionante: “Eles deixaram imediatamente as redes e seguiram-n’O.”
Irmãos e irmãs, seguir Jesus implica sempre deixar alguma coisa: redes, seguranças, hábitos, comodismos. Cada um de nós sabe quais são as “redes” que o prendem. Mas reparemos: eles não deixam tudo para ficar vazios; deixam tudo para seguir Alguém. E esse Alguém dá sentido novo à vida.

Por fim, vemos Jesus a percorrer toda a Galileia, ensinando, anunciando o Evangelho do Reino e curando todas as doenças. Em Jesus, palavra e acção caminham juntas. Ele cura o corpo e o coração, porque o amor de Deus quer salvar o homem todo.

Hoje, este Evangelho lembra-nos que também nós somos chamados. Chamados à conversão, a deixar que a luz de Cristo ilumine as nossas sombras, e a segui-Lo com confiança. Não todos da mesma maneira, mas todos com o mesmo coração disponível.

Peçamos ao Senhor a graça de escutar a sua voz no meio da nossa vida quotidiana e a coragem de responder, como os primeiros discípulos: sem adiar, sem medo, com generosidade.

Ámen. 

Domingo II do Tempo Comum (Ano A)

Irmãos e irmãs,

O Evangelho que acabámos de escutar coloca-nos diante de uma das afirmações mais belas e mais profundas de toda a Escritura:
“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.”

Estas palavras são pronunciadas por João Baptista. Ele não fala de si, não se coloca no centro, não procura protagonismo. Pelo contrário, toda a sua missão converge para este momento: apontar para Jesus. João ensina-nos que a verdadeira grandeza do discípulo está em saber desaparecer para que Cristo apareça.

Ao chamar Jesus de Cordeiro de Deus, João Baptista evoca toda a história da salvação. Recorda o cordeiro pascal, cujo sangue salvou o povo da escravidão no Egipto. Recorda também o servo sofredor anunciado pelo profeta Isaías, que se oferece em silêncio pela salvação de muitos. Jesus é esse Cordeiro: não um conquistador armado, mas Aquele que vence o mal com o amor, o pecado com o perdão, a morte com a entrega total de si mesmo.

E o texto diz algo muito importante: “que tira o pecado do mundo”. Não apenas os pecados individuais, mas o pecado que fere a humanidade inteira: a violência, a injustiça, o egoísmo, a indiferença. Cristo vem libertar-nos de tudo aquilo que nos desumaniza e nos afasta de Deus.

João Baptista confessa com humildade:
“Eu não O conhecia”.
É uma frase surpreendente. João conhecia Jesus humanamente, mas só O reconhece verdadeiramente quando o Espírito Santo Se manifesta. Isto recorda-nos que a fé não é apenas fruto do esforço humano, mas dom de Deus. É o Espírito quem nos permite reconhecer em Jesus o Filho de Deus.

Por isso, João termina com um testemunho claro e corajoso:
“Eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus.”

Irmãos e irmãs, também nós somos chamados a fazer o mesmo caminho:
primeiro, olhar para Jesus;
depois, reconhecê-Lo como o Cordeiro que dá a vida por nós;
e finalmente, dar testemunho d’Ele com a nossa vida.

Cada vez que participamos na Eucaristia, ouvimos as mesmas palavras:
“Eis o Cordeiro de Deus.”
Não são apenas palavras rituais. É um convite a renovar a nossa fé, a entregar-Lhe os nossos pecados, as nossas fragilidades, as nossas feridas, confiando que Ele continua a tirar o pecado do mundo — começando pelo nosso coração.

Que São João Baptista nos ensine a humildade de quem aponta para Cristo, e que a nossa vida, mais do que palavras, seja um testemunho vivo de que Jesus é verdadeiramente o Filho de Deus.
Ámen.

Batismo do Senhor (Ano A)

Evangelho segundo São Mateus (3, 13-17)

Irmãos e irmãs,

Hoje celebramos o Batismo do Senhor, um momento decisivo no início da vida pública de Jesus. À primeira vista, este acontecimento pode causar-nos estranheza: Jesus, o Filho de Deus, sem pecado, aproxima-se de João para receber um batismo de penitência. O próprio João Baptista se sente desconcertado e diz: «Sou eu que preciso de ser baptizado por Ti, e Tu vens ter comigo?»

Este diálogo revela-nos algo essencial sobre Deus. Jesus não se coloca acima da humanidade, mas entra plenamente na nossa condição. Ele não se afasta dos pecadores, não se apresenta como alguém distante, mas faz-se solidário connosco. Ao descer às águas do Jordão, Jesus desce às águas da nossa fragilidade, da nossa história marcada pelo pecado, para a transformar e redimir.

Quando Jesus sai da água, o céu abre-se. Este pormenor é profundamente simbólico: o céu, fechado pelo pecado, volta a abrir-se. Em Jesus, a comunhão entre Deus e a humanidade é restaurada. O Espírito Santo desce em forma de pomba, sinal de vida nova, de paz e de criação renovada. É o mesmo Espírito que nos foi dado no nosso baptismo.

E escuta-se a voz do Pai: «Este é o meu Filho muito amado, em quem pus todo o meu agrado.» Estas palavras não são apenas dirigidas a Jesus; nelas está contida também a nossa identidade. Pelo Baptismo, cada um de nós se torna filho amado de Deus. Antes de qualquer mérito, antes de qualquer obra, Deus chama-nos seus filhos e ama-nos profundamente.

Esta festa convida-nos, por isso, a recordar e renovar o nosso próprio Baptismo. Fomos baptizados não apenas com água, mas com o Espírito Santo. Fomos mergulhados na vida de Deus e chamados a viver como filhos, não como escravos do medo ou do pecado.

Mas o Baptismo é também uma missão. Assim como, depois do Jordão, Jesus inicia a sua missão, também nós somos enviados a testemunhar o Evangelho. Ser baptizado é comprometer-se a viver segundo o Evangelho, a escolher a humildade em vez do orgulho, o serviço em vez do poder, o amor em vez da indiferença.

Peçamos hoje ao Senhor que nos ajude a viver de modo fiel a graça do nosso Baptismo. Que o Espírito Santo, que repousou sobre Jesus, renove em nós a alegria de sermos filhos amados do Pai e nos dê a coragem de viver como verdadeiros discípulos de Cristo.

Ámen.