Domingo IV do Tempo Comum (Ano A)

Irmãos e irmãs,

O Evangelho que hoje escutámos leva-nos ao monte, lugar privilegiado do encontro com Deus. Jesus sobe ao monte, senta-Se e ensina. Este gesto recorda-nos que Ele fala com autoridade, mas não a autoridade do poder humano: é a autoridade de quem conhece o coração do homem e o coração do Pai. E as primeiras palavras do seu ensinamento são um anúncio de felicidade: “Felizes”.

As Bem-aventuranças não são apenas um conjunto de belas frases espirituais. São o coração do Evangelho e um verdadeiro caminho de vida cristã. Jesus apresenta-nos uma felicidade que não depende das circunstâncias exteriores, mas da relação com Deus. Por isso, Ele chama felizes aqueles que, aos olhos do mundo, parecem frágeis ou derrotados: os pobres, os que choram, os mansos, os perseguidos.

“Felizes os pobres em espírito” — são aqueles que reconhecem que tudo é dom e que não se bastam a si mesmos. Num mundo que valoriza a autossuficiência e o ter, Jesus recorda-nos que só quem confia em Deus pode acolher o Reino. A pobreza em espírito abre espaço para Deus agir na nossa vida.

“Felizes os que choram” — não porque a dor seja desejável, mas porque Deus não é indiferente ao sofrimento humano. Ele está próximo de quem sofre, de quem se deixa tocar pela dor do outro e não endurece o coração. Esta bem-aventurança chama-nos à compaixão e à solidariedade.

“Felizes os mansos” e “os misericordiosos” — num tempo marcado pela agressividade, pelo julgamento rápido e pela falta de perdão, Jesus propõe a mansidão e a misericórdia como força transformadora. Não é fraqueza; é a força de quem ama como Deus ama.

E quando Jesus diz: “Felizes os que têm fome e sede de justiça”, convida-nos a não sermos indiferentes ao mal, à injustiça, à exclusão. A justiça do Evangelho nasce do amor e conduz à paz. Por isso, a paz não é simples ausência de conflitos, mas fruto de corações reconciliados com Deus e entre si.

Por fim, Jesus fala da perseguição. Seguir Cristo pode trazer incompreensão, rejeição e até sofrimento. Mas Ele garante-nos que a fidelidade ao Evangelho nunca é inútil: “é grande a vossa recompensa nos Céus”. A esperança cristã nasce desta certeza.

Irmãos e irmãs, as Bem-aventuranças são exigentes, mas não são impossíveis. São o retrato da vida de Jesus e o caminho da verdadeira felicidade. Peçamos ao Senhor a graça de as viver no quotidiano, para que a nossa vida seja sinal do Reino que já começou e que um dia se manifestará em plenitude.

Ámen.