Irmãos e irmãs,
O Evangelho que acabámos de escutar coloca-nos diante de uma das afirmações mais belas e mais profundas de toda a Escritura:
“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.”
Estas palavras são pronunciadas por João Baptista. Ele não fala de si, não se coloca no centro, não procura protagonismo. Pelo contrário, toda a sua missão converge para este momento: apontar para Jesus. João ensina-nos que a verdadeira grandeza do discípulo está em saber desaparecer para que Cristo apareça.
Ao chamar Jesus de Cordeiro de Deus, João Baptista evoca toda a história da salvação. Recorda o cordeiro pascal, cujo sangue salvou o povo da escravidão no Egipto. Recorda também o servo sofredor anunciado pelo profeta Isaías, que se oferece em silêncio pela salvação de muitos. Jesus é esse Cordeiro: não um conquistador armado, mas Aquele que vence o mal com o amor, o pecado com o perdão, a morte com a entrega total de si mesmo.
E o texto diz algo muito importante: “que tira o pecado do mundo”. Não apenas os pecados individuais, mas o pecado que fere a humanidade inteira: a violência, a injustiça, o egoísmo, a indiferença. Cristo vem libertar-nos de tudo aquilo que nos desumaniza e nos afasta de Deus.
João Baptista confessa com humildade:
“Eu não O conhecia”.
É uma frase surpreendente. João conhecia Jesus humanamente, mas só O reconhece verdadeiramente quando o Espírito Santo Se manifesta. Isto recorda-nos que a fé não é apenas fruto do esforço humano, mas dom de Deus. É o Espírito quem nos permite reconhecer em Jesus o Filho de Deus.
Por isso, João termina com um testemunho claro e corajoso:
“Eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus.”
Irmãos e irmãs, também nós somos chamados a fazer o mesmo caminho:
primeiro, olhar para Jesus;
depois, reconhecê-Lo como o Cordeiro que dá a vida por nós;
e finalmente, dar testemunho d’Ele com a nossa vida.
Cada vez que participamos na Eucaristia, ouvimos as mesmas palavras:
“Eis o Cordeiro de Deus.”
Não são apenas palavras rituais. É um convite a renovar a nossa fé, a entregar-Lhe os nossos pecados, as nossas fragilidades, as nossas feridas, confiando que Ele continua a tirar o pecado do mundo — começando pelo nosso coração.
Que São João Baptista nos ensine a humildade de quem aponta para Cristo, e que a nossa vida, mais do que palavras, seja um testemunho vivo de que Jesus é verdadeiramente o Filho de Deus.
Ámen.