Domingo III do Tempo Comum (Ano A)

Homilia

Irmãos e irmãs,

O Evangelho que acabámos de escutar marca o início da vida pública de Jesus. Depois da prisão de João Baptista, Jesus retira-se para a Galileia e começa a anunciar a Boa Nova. E a sua primeira palavra é clara, exigente e cheia de esperança:
“Arrependei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus.”

Não é uma ameaça, é um convite. Jesus não começa por condenar, mas por chamar à conversão, isto é, a mudar de mentalidade, a mudar de rumo, a deixar que Deus volte a ser o centro da nossa vida. Converter-se não é apenas deixar o pecado, é sobretudo voltar-se para Deus e confiar n’Ele.

O Evangelho diz-nos que Jesus foi habitar em Cafarnaum, na Galileia dos gentios, terra considerada periférica, misturada, pouco religiosa aos olhos de Jerusalém. E é aí que se cumpre a profecia de Isaías:
“O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz.”

Isto é muito importante para nós. Deus não espera que estejamos perfeitos para vir ao nosso encontro. Jesus começa a sua missão não no centro do poder religioso, mas nas margens. A luz de Cristo nasce precisamente onde parece haver mais escuridão. Também hoje, nas nossas fragilidades, nas nossas dúvidas, nos nossos medos, Cristo quer fazer brilhar a sua luz.

Depois, Jesus chama os primeiros discípulos. Homens simples, pescadores, no meio do seu trabalho quotidiano. Não estavam no templo, estavam na vida real. E Jesus diz-lhes:
“Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens.”

E o Evangelho sublinha algo impressionante: “Eles deixaram imediatamente as redes e seguiram-n’O.”
Irmãos e irmãs, seguir Jesus implica sempre deixar alguma coisa: redes, seguranças, hábitos, comodismos. Cada um de nós sabe quais são as “redes” que o prendem. Mas reparemos: eles não deixam tudo para ficar vazios; deixam tudo para seguir Alguém. E esse Alguém dá sentido novo à vida.

Por fim, vemos Jesus a percorrer toda a Galileia, ensinando, anunciando o Evangelho do Reino e curando todas as doenças. Em Jesus, palavra e acção caminham juntas. Ele cura o corpo e o coração, porque o amor de Deus quer salvar o homem todo.

Hoje, este Evangelho lembra-nos que também nós somos chamados. Chamados à conversão, a deixar que a luz de Cristo ilumine as nossas sombras, e a segui-Lo com confiança. Não todos da mesma maneira, mas todos com o mesmo coração disponível.

Peçamos ao Senhor a graça de escutar a sua voz no meio da nossa vida quotidiana e a coragem de responder, como os primeiros discípulos: sem adiar, sem medo, com generosidade.

Ámen.