Irmãos e irmãs,
A liturgia deste terceiro Domingo do Advento convida-nos à alegria. A Igreja chama-lhe tradicionalmente Domingo Gaudete: «Alegrai-vos sempre no Senhor». Mas a Palavra de Deus que escutámos hoje apresenta-nos uma cena surpreendente: João Baptista, o grande profeta, aquele que anunciou com firmeza a vinda do Messias, encontra-se agora na prisão… e na dúvida.
«És Tu Aquele que há-de vir ou devemos esperar outro?»
Esta pergunta, feita por João através dos seus discípulos, não nasce da incredulidade, mas da experiência da prova. João esperava um Messias forte, que julgasse com justiça e libertasse o seu povo. Porém, o que chega até ele são notícias de um Messias manso, que cura, que se aproxima dos pobres, que não derruba prisões nem condena os poderosos.
Quantas vezes também nós, no nosso Advento pessoal, fazemos a mesma pergunta? Quando a vida aperta, quando a doença, a solidão ou a injustiça nos visitam, perguntamos em silêncio: Senhor, és mesmo Tu? Estás a agir? Ou devo esperar outra solução?
Jesus não responde com discursos teóricos. Responde com factos:
«Os cegos veem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres é anunciada a Boa Nova.»
Ou seja, o Reino de Deus já está presente, mesmo que não da forma espetacular que esperamos. Deus age na discrição, na misericórdia, na transformação silenciosa do coração humano.
Depois, Jesus dirige-se à multidão e faz um elogio extraordinário a João Baptista. Não o desvaloriza por ter perguntado. Pelo contrário, afirma que entre os nascidos de mulher não surgiu ninguém maior do que João. A dúvida não diminui a fé quando é vivida na verdade e apresentada a Deus.
João é o homem da fronteira: pertence ainda ao Antigo Testamento, mas aponta claramente para o Novo. Ele não é a luz, mas veio para dar testemunho da luz. E ensina-nos algo essencial neste Advento: a verdadeira alegria não está em possuir certezas absolutas, mas em confiar, mesmo no meio da escuridão.
Caríssimos irmãos, o Advento não é apenas um tempo de espera, é um tempo de conversão do olhar. Talvez o Senhor já esteja a agir na nossa vida, mas não como imaginámos. Talvez Ele já esteja a passar, curando, levantando, consolando… e nós não O reconhecemos.
Peçamos hoje a graça de não nos escandalizarmos com um Deus humilde, paciente, próximo dos pobres e frágeis. E aprendamos com João Baptista a apontar sempre para Cristo, mesmo quando a nossa própria fé é provada.
Que Maria, mulher da espera confiante, nos ajude a viver este Advento com uma alegria profunda, feita de esperança e de entrega.
Amen.