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«Quem procura a verdade procura Deus»

DOMINGO V DA QUARESMA

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (Jo 12, 20-33)


Naquele tempo, alguns gregos que tinham vindo a Jerusalém para adorar nos dias da festa, foram ter com Filipe, de Betsaida da Galileia, e fizeram-lhe este pedido: «Senhor, nós queríamos ver Jesus». Filipe foi dizê-lo a André; e então André e Filipe foram dizê-lo a Jesus. Jesus respondeu-lhes: «Chegou a hora em que o Filho do homem vai ser glorificado. Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á, e quem despreza a sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém Me quiser servir, que Me siga, e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo. E se alguém Me servir, meu Pai o honrará. Agora a minha alma está perturbada. E que hei de dizer? Pai, salva-Me desta hora? Mas por causa disto é que Eu cheguei a esta hora. Pai, glorifica o teu nome». Veio então do Céu uma voz que dizia: «Já O glorifiquei e tornarei a glorificá-l’O». A multidão que estava presente e ouvira dizia ter sido um trovão. Outros afirmavam: «Foi um Anjo que Lhe falou». Disse Jesus: «Não foi por minha causa que esta voz se fez ouvir; foi por vossa causa. Chegou a hora em que este mundo vai ser julgado. Chegou a hora em que vai ser expulso o príncipe deste mundo. E quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim». Falava deste modo, para indicar de que morte ia morrer.

Com os santos do Carmelo

Refere Edith Stein…

“Querida Mãe, permita-me, Vossa Reverência, que me ofereça ao Coração de Jesus como vítima propiciatória pela verdadeira paz: que o poder do anticristo, se possível, caia sem uma nova guerra mundial, e que se estabeleça uma nova ordem de coisas. Gostaria de o fazer ainda hoje, agora que são 12 horas. Sei que não sou nada, mas Jesus quer isso, e certamente nestes dias chamará muitos outros para isso”. (Carta à Madre Ottilia Thannisch OCD, Etch, Domingo da Paixão, 26 de março de 1939).

Meditação

«Senhor, nós queríamos ver Jesus.» Alguns gregos são símbolo da nossa procura de Jesus. Que procuramos nós nas nossas vidas?  Edith Stein dizia que aquele que procura a verdade procura a Deus mesmo sem o saber. Contudo, esta procura de verdade pode ser acompanha de curiosidade, o que poderá levar a desilusões. A verdade que nos referimos é uma Verdade que se aplica a todos, é universal, é uma verdade que é capaz de unir. Uma verdade que nos liberta, não é uma verdade que cada um pode construir como Nietzsche dizia, mas a Verdade de uma pessoa, que se entregou e deu a sua vida por todos: Jesus Cristo. Quando procuramos a verdade devemos estar abertos aos desafios e exigências colocadas por essa procura, porque a Verdade só se manifestará quando de facto estamos com o coração humilde e verdadeiro. Mesmo que sejamos impulsionados pelo Espírito Santo e caminhemos com desejo de ver o rosto de Jesus, não significa que o que vamos ouvir e ver seja agradável. Todavia, Jesus é claro, vou morrer numa cruz e depois podereis olhar para mim, através da minha morte atrairei a muitos, ou seja, dará muitos frutos. Quem O quiser seguir esqueça-se de si mesmo e deixe tudo o que lhe prende. Jesus desafia-nos: se Me queres ver olha para a cruz e aí verás a vitória, aí tereis a vida, aí podereis ser glorificados. Jesus chama e atrai muitos, mas nem todos querem seguir as suas exigências. Esta é a verdade do cristianismo: a Cruz é o símbolo da salvação para todos. O que Jesus pede é que olhemos para ele. Olhando para ele, sem palavras, confessamos que ele é o centro e o sentido da nossa vida, o impulso das nossas obras, a meta do nosso caminho, a nossa vida!

Fr. David, Ocd

«Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho.»

Domingo IV da Quaresma (Laetare)

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João


Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna. Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem acredita n’Ele não é condenado, mas quem não acredita já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus. E a causa da condenação é esta: a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque eram más as suas obras. Todo aquele que pratica más acções odeia a luz e não se aproxima dela, para que as suas obras não sejam denunciadas. Mas quem pratica a verdade aproxima-se da luz, para que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus.

Com os santos do Carmelo

Refere São João da Cruz…

«Nesta união interior, Deus comunica-Se à alma com tanta vontade de amor, que não há afeto de mãe que acaricie o seu filho com tanta ternura, nem amor de irmão, nem amizade de amigo, que se lhe compare. […]. Como é grande a humildade e a doçura de Deus! […]. Ele aqui ocupa-se em consolar e acariciar a alma como a mãe cuida e consola o seu filhinho…» (Cântico Espiritual 27, 1)

Meditação

«Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho.» Isto é algo que é central no Evangelho de São João, é a frase que nos enche as medidas que nos assombra. Entre Deus e nós há uma só linha que nos une: o amor. É o caminho em que o céu entra em nós e nós no céu, é a ponte sobre o qual se encontram e se abraçam o finito e infinito. Ao dizer esta frase o nosso Deus quer dizer que somos muito importantes que temos um grande valor. Ao entregar o Seu Filho fez com que Ele habitasse no meio de nós e que ficasse connosco até aos fins dos tempos. Se Ele está connosco, então é bom recordar todos os dias que Ele nos acompanha nas nossas dificuldades e quando estamos desanimados. Deus está sempre connosco, porque nos ama. Jacques Maritain dizia que «precisamos de muito amor para viver bem». Portanto, não basta saber que Deus nos ama, é preciso também distribuir esse amor pelos irmãos. Porque o amor pode transformar muitas pessoas e ajudá-las a viver bem. Procuremos nesta Quaresma ter atos de amor por aqueles com quem nos cruzamos, aqueles que Deus nos coloca à frente para provar o nosso amor. Não desprezemos, não façamos medidas, não julguemos pelas aparências, não nos achemos superiores a ninguém, procuremos entender aquele que se aproxima e façamos atos de amor, com paciência, tolerância, ternura, misericórdia.

Frei David, Ocd

Imagem: creditos-AlessandroPhoto by Getty Images

Não faças do teu coração casa de comércio

Domingo III da Quaresma

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (Jo 2, 13-25)


«Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. Encontrou no templo os vendedores de bois, de ovelhas e de pombas e os cambistas sentados às bancas. Fez então um chicote de cordas e expulsou-os a todos do templo, com as ovelhas e os bois; deitou por terra o dinheiro dos cambistas e derrubou-lhes as mesas; e disse aos que vendiam pombas: «Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai casa de comércio». Os discípulos recordaram-se do que estava escrito: «Devora-me o zelo pela tua casa». Então os judeus tomaram a palavra e perguntaram-Lhe: «Que sinal nos dás de que podes proceder deste modo?». Jesus respondeu-lhes: «Destruí este templo e em três dias o levantarei». Disseram os judeus: «Foram precisos quarenta e seis anos para se construir este templo e Tu vais levantá-lo em três dias?». Jesus, porém, falava do templo do seu corpo. Por isso, quando Ele ressuscitou dos mortos, os discípulos lembraram-se do que tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra de Jesus. Enquanto Jesus permaneceu em Jerusalém pela festa da Páscoa, muitos, ao verem os milagres que fazia, acreditaram no seu nome. Mas Jesus não se fiava deles, porque os conhecia a todos e não precisava de que Lhe dessem informações sobre ninguém: Ele bem sabia o que há no homem».

Com os santos do Carmelo

Refere Santa Isabel da Trindade…

«Alma que quer servir a Deus noite e dia no seu templo, entendo nesse santuário interior, de que fala São Paulo, quando diz: «O templo de Deus é santo e vós sois esse templo», essa alma deve estar resolvida a comungar efetivamente na paixão do seu Mestre. É uma redimida, que deve resgatar outras almas por seu turno e, para isso, há de cantar na sua lira: «Glorifico-me na Cruz de Jesus Cristo. Com Jesus Cristo estou pregada à Cruz…». (Último Retiro, 13).

Meditação…

«…não façais da casa de meu Pai casa de comércio», seguindo estas palavras de Jesus podemos perguntar: que casa do Pai é esta? No Areópago São Paulo tinha dito que Deus não habita em santuários construídos pela mão do homem (cf. Act 17, 24) e o profeta também dizia algo semelhante: «que casa me haveis de construir, diz o Senhor, e qual será o lugar do meu repouso?» (Act 7, 48-49). Não podemos negar que os templos/Igrejas são lugares próprios para orar e louvar a Deus. Mas, Deus nunca precisou de templos para se mostrar, Ele se manifesta onde quer e como quer. Jesus ensina-nos que o verdadeiro templo de Deus é o nosso corpo é a nossa vida. Se olharmos para este templo encontramos, por vezes, um grande comércio. Não podemos fazer da nossa vida um mercado, nem a fé pode ser utilizada como instrumento mercantil. Por vezes pensamos que indo à Igreja, cumprindo esse gesto, acendendo aquela vela, dizendo aquela oração, fazendo aquela oferta, estamos bem, já fizemos o nosso dever, já demos e, agora, podemos esperar alguma coisa em troca. Desse modo nos transformamos em cambistas e Jesus derruba a nossa banca. O nosso Deus quer derrubar tudo aquilo que não leva a uma relação séria com Ele. Procuremos neste tempo de Quaresma arrumar, limpar as nossas bancas de toda a espécie de mercado mundano. Não precisamos de vender nada, pois já fomos comprados por um grande preço. Não precisamos de comprar nada, pois tudo o que Deus tem é gratuito. Não nos deixemos levar pelos barulhos dos mercantis, olhemos sim para o nosso interior e dêmos valor à vida.

Frei David, Ocd

Imagem retirada de: https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2021-03/reflexao-para-o-3-domingo-da-quaresma.html

Do caminho doloroso à gloria celeste

DOMINGO II DA QUARESMA

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos


Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e subiu só com eles para um lugar retirado num alto monte e transfigurou-Se diante deles. As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia assim branquear. Apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus. Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés, outra para Elias». Não sabia o que dizia, pois estavam atemorizados. Veio então uma nuvem que os cobriu com a sua sombra e da nuvem fez-se ouvir uma voz: «Este é o meu Filho muito amado: escutai-O». De repente, olhando em redor, não viram mais ninguém, a não ser Jesus, sozinho com eles. Ao descerem do monte, Jesus ordenou-lhes que não contassem a ninguém o que tinham visto, enquanto o Filho do homem não ressuscitasse dos mortos. Eles guardaram a recomendação, mas perguntavam entre si o que seria ressuscitar dos mortos.

COM OS SANTOS DO CARMELO

Refere Santa Isabel da Trindade…

«Pergunta-me, talvez, como o glorificar? É muito simples. Nosso Senhor dá-nos o segredo, quando nos diz: «O meu alimento é o de fazer a vontade d’Aquele que me enviou.» Ligue-se, pois, querida Senhora, às vontades deste Mestre adorável, encare cada sofrimento, assim como cada alegria, como provindo diretamente d’Ele e, então, a sua vida será como uma contínua comunhão, porque cada coisa se constituirá como um sacramento que lhe há de dar Deus».

Meditação…

Um escalador quando pensa subir uma montanha, prepara-se devidamente com o equipamento necessário, para que tudo corra da melhor maneira possível. Ao começar a escalada, depara-se com desafios e obstáculos e procura o melhor trajeto para não tropeçar nas armadilhas. Na medida que vai subindo, as pernas se vão tornando mais pesadas e o cansaço começa a acumular. Mas, ao recordar o seu objetivo lhe dá renovadas forças, revigora-se a esperança ao saber que o cume é possível alcançar. Quando chega ao cume, todo o seu cansaço é esquecido por um momento, porque desfruta da sua vitória e rejubila com aquilo que encontra. No cume podemos ter as melhores vistas, o sol radiante, a proximidade das nuvens. O monte é por si só o lugar onde pousa o primeiro raio de sol e onde se detém longamente o último.

Se olharmos para a nossa vida podemos dizer que é semelhante a um escalador. O caminho para o cume da santidade é desafiante e cheio de obstáculos. Para alcançarmos esse cume necessitamos de nos revestir com o equipamento necessário das virtudes e da Palavra de Deus, para que no caminho possamos superar toda a espécie de dificuldades que encontramos. Por mais que o caminho seja doloroso, e dependentemente da montanha que cada um suba, no cume de todas elas está reservado a maior beleza que o homem pode encontrar: a luz resplandecente e luminosa do amor de Deus. Aquela luz que brilha no coração do homem e que o deixa completamente inebriado. Sendo assim, podemos dizer, que bom é estar com este bom Deus. Aquele a quem o Pai diz: «Este é o meu Filho muito amado, escutai-O». Quando alcançarmos o objetivo, a meta que Deus nos propõe, todas as dores e dificuldades que tivemos desaparecem e são esquecidas, o cansaço transforma-se em vitalidade, a tristeza em alegria, a dor em felicidade, a morte em ressurreição.

Fr. David, Ocd

No deserto da vida Deus está…

DOMINGO I DA QUARESMA

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 1, 12-15)

Naquele tempo, o Espírito Santo impeliu Jesus para o deserto. Jesus esteve no deserto quarenta dias e era tentado por Satanás. Vivia com os animais selvagens e os Anjos serviam-n’O. Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a pregar o Evangelho, dizendo: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho».

Com os santos do Carmelo

Refere Santa Isabel da Trindade

«É aí, no mais profundo, que se operará o choque divino, que o abismo do nosso nada, da nossa miséria, se encontrará frente a frente com o Abismo da misericórdia, da imensidade do tudo de Deus. É aí que havemos de encontrar a força de morrermos para nós mesmos e que, ao perder o nosso próprio rasto, seremos transformados em amor…» (O Céu na Terra. Primeiro dia, 4)

Meditação…

A Quaresma é um tempo de maior encontro com Deus. Neste primeiro Domingo somos convidados a entrar mais adentro de nós mesmos. O deserto é um lugar de encontro mais profundo com Deus, mas, também, serve para quebrar com muitas correntes diabólicas. Foi no deserto que o povo hebreu venceu as perseguições do faraó e foi no deserto alimentado por Deus. Da mesma maneira Jesus, o novo Moisés, foi tentado e perseguido pelo inimigo, ao vencê-lo foi alimentado. O deserto é um lugar não desejado por muitos, mas muitos vivem em autênticos desertos, secos como terra árida sem qualquer gota de sentido da vida. O caminho da vida por vezes é árido e cheio de inimigos, mas é nas situações mais difíceis da vida que Deus se encontra e desafia-nos sempre a colocar os olhos n´Ele. Isto parece fácil, mas é aí que entra o Espírito Santo de Deus que nos impele a sair de nós mesmos e a irmos ao encontro de quem nos sacia a fome de infinito e nos alimenta com o maná no deserto das nossas vidas. Procuremos entender que é dentro de nós mesmos que habita Deus, é aí onde se realiza o encontro divino. Quem vive sem esta realidade cristã, vive no vazio e se vive no vazio vive num sem sentido, o nada não é a última coisa que se encontra no fim da vida, mas o abismo da misericórdia de Deus que no fundo da alma clama «estou aqui».

Fr. David, Ocd


Imagem:

Pintura flamenga

A tentação de Cristo · Joos or Josse de Momper
Private Collection / bridgemanimages.com

«O amor de Deus é a saúde da alma.»

DOMINGO VI DO TEMPO COMUM

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 1, 40-45)


Naquele tempo, veio ter com Jesus um leproso. Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe: «Se quiseres, podes curar-me». Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse: «Quero: fica limpo». No mesmo instante o deixou a lepra e ele ficou limpo. Advertindo-o severamente, despediu-o com esta ordem: «Não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho». Ele, porém, logo que partiu, começou a apregoar e a divulgar o que acontecera, e assim, Jesus já não podia entrar abertamente em nenhuma cidade. Ficava fora, em lugares desertos, e vinham ter com Ele de toda a parte.

Com os Santos do Carmelo…

Refere São João da Cruz…

«A razão é a seguinte: O amor de Deus é a saúde da alma. Quando não tem um perfeito amor, também não tem uma saúde perfeita; por isso, está doente. A doença não é outra coisa senão a falta de saúde; assim, quando não tem nenhum grau de amor, está morta. No entanto quando tem algum grau de amor de Deus, por mínimo que seja, já está viva, embora muito debilitada e doente por ser pouco o amor. Mas, à medida que o amor for aumentando, mais saúde terá; e quando chegar ao perfeito amor, perfeita será a sua saúde.» (CB 11, 11).

Meditação…

As atitudes que se aprendem com este Evangelho é o de aproximar-se de Jesus com confiança e com um coração humilde pedir-lhe o que mais necessitamos. Jesus veio para nos libertar de tudo aquilo que nos prende e que não nos deixa viver. Com Ele ninguém fica excluído, todos são chamados, todos tem o direito a receber o seu amor. Quando Deus toca, algo se transforma na nossa vida. Os ossos ressequidos se erguem do túmulo, a carne restabelece as suas formas originais, tudo se rejuvenesce com a palavra compadecida «Quero, fica limpo». Como é a nossa relação com este Deus que só deseja o nosso bem? Como é o nosso olhar para com o nosso semelhante? Jesus ensina-nos a olhar com compaixão a muitos que no mundo são marginalizados. Procuremos nesta Quaresma que se aproxima ter um coração misericordioso, confiante e humilde, não só para pedir por nós, mas por aqueles que ninguém se lembra, que ninguém reza, que ninguém olha.

Frei David, Ocd

«Comeram e ficaram saciados»

EVANGELHO SEGUNDO SÃO MARCOS 8,1-10 (10-02-24)

Naqueles dias, juntou-se novamente uma grande multidão e, como não tinham que comer, Jesus chamou os discípulos e disse-lhes: «Tenho pena desta multidão; há já três dias que estão comigo e não têm que comer. Se os despedir sem alimento para suas casas, desfalecerão no caminho, porque alguns vieram de longe». Responderam-Lhe os discípulos: «Como se poderia saciá-los de pão, aqui num deserto?». Mas Jesus perguntou: «Quantos pães tendes?». Eles responderam: «Temos sete». Então, Jesus ordenou à multidão que se sentasse no chão. Depois, tomou os sete pães e, dando graças, partiu-os e deu-os aos discípulos, para que os distribuíssem, e eles distribuíram-nos à multidão. Tinham também alguns pequenos peixes. Jesus pronunciou sobre eles a bênção e disse que os distribuíssem também. Comeram e ficaram saciados. Dos bocados que sobraram, encheram sete cestos. Eram cerca de quatro mil pessoas. Então Jesus despediu-os e, subindo para o barco com os discípulos, dirigiu-se para a região de Dalmanutá.

Meditação da palavra

Caros irmãos e irmãs em Jesus Cristo,

Que tipo de Deus é Jesus? É um Deus de compaixão e de misericórdia. Jesus sente a nossa solidão quando nos sentimos sós. Jesus chora connosco quando nós choramos. Jesus sente o fardo pesado que carregamos quando estamos tão sobrecarregados por ele. Será que este sentimento de compaixão e misericórdia se fica pela empatia de Jesus? Não, Jesus nunca pára de pensar em formas de aliviar os fardos que carregamos.

Vemos esta profunda compaixão e misericórdia de Jesus no evangelho de hoje. Quando Jesus viu a multidão que os seguia há dias, teve uma profunda compaixão por eles, pois já tinham fome. A sua misericórdia e compaixão levaram-no a pensar na forma de os alimentar.

Então, Jesus pediu aos discípulos qualquer alimento que tivessem e, de sete pães e poucos peixes, Jesus multiplicou-os milagrosamente para alimentar quase quatro mil pessoas. É assim que Jesus é misericordioso e compassivo para com aqueles que o seguem.

No Evangelho de hoje, Jesus volta a recordar-nos que nunca passaremos fome quando decidirmos seguir fielmente Jesus! Jesus nunca nos deixará passar fome, porque Ele cuidará da nossa alimentação e das nossas necessidades. Isto pode ser difícil de acreditar para outros, mas é bem verdade! Jesus providencia para aqueles que o seguem fielmente. Na leitura do Evangelho, os discípulos vêem-se confrontados com uma situação que lhes parece impossível. Há uma grande multidão de pessoas famintas num lugar deserto, sem meios para as alimentar. O seu desespero transparece na pergunta que fazem a Jesus: “Onde é que alguém pode arranjar pão para alimentar esta gente num lugar deserto como este? Há alturas na vida de todos nós em que nos sentimos como os discípulos. Deparamo-nos com uma situação que parece estar para além das nossas capacidades. Perguntamo-nos como é que nos vamos desenrascar. Na leitura do Evangelho, os discípulos descobrem que o Senhor lhes permitiu lidar com a situação e alimentar a multidão. Trabalhando com muito poucos recursos humanos, sete pães e alguns peixes pequenos, Jesus permitiu que os discípulos alimentassem a multidão. Por vezes, também nas nossas vidas, o Senhor permite-nos fazer algo que não seríamos capazes de fazer se estivéssemos entregues aos nossos próprios recursos. O Senhor pode atuar poderosamente através dos poucos recursos que temos à nossa disposição, se lhos oferecermos e o convidarmos a utilizá-los. São Paulo sabia-o por experiência própria. Escreveu na sua carta aos Filipenses: “Tudo posso naquele que me dá força”. Ámen.

P. Tomás Muzhuthett

«Faz que os surdos ouçam e que os mudos falem»

EVANGELHO SEGUNDO SÃO MARCOS 7,31-37 (09-02-24)

Naquele tempo, Jesus deixou de novo a região de Tiro e, passando por Sidónia, veio para o mar da Galileia, atravessando o território da Decápole. Trouxeram-Lhe então um surdo que mal podia falar e suplicaram-Lhe que impusesse as mãos sobre ele. Jesus, afastando-Se com ele da multidão, meteu-lhe os dedos nos ouvidos e com saliva tocou-lhe a língua. Depois, erguendo os olhos ao céu, suspirou e disse-lhe: «Effathá», que quer dizer «Abre-te». Imediatamente se abriram os ouvidos do homem, soltou-se-lhe a prisão da língua e começou a falar corretamente. Jesus recomendou que não contassem nada a ninguém. Mas, quanto mais lho recomendava, tanto mais intensamente eles o apregoavam. Cheios de assombro, diziam: «Tudo o que faz é admirável: faz que os surdos oiçam e que os mudos falem».

Meditação da palavra

Caros irmãos e irmãs em Jesus Cristo

Imaginemos que somos o surdo desta passagem e estamos completamente isolados do mundo dos sons. Não podemos ouvir o som das vozes dos nossos entes queridos; não podemos ouvir o riso das crianças, o vento nas árvores, a água a correr, os pássaros a chamar, a música ou o canto. É uma adaptação difícil para qualquer um de nós.

A surdez pode ser uma experiência isoladora. Uma coisa é perder o olfato ou o paladar, mas perder a audição coloca muitos desafios na vida.

A certa altura, estávamos todos afastados de Deus, separados dele pelos nossos pecados. E éramos tão incapazes de mudar a nossa condição como o homem surdo e mudo da passagem de hoje. Mas se és um crente, de alguma forma Deus chegou até ti, tal como Jesus chegou até ao homem surdo. Tinhas um coração de pedra e os teus ouvidos eram surdos às coisas espirituais, mas Jesus falou ao teu coração: “Abre-te!” e o teu coração abriu-se a Deus. Foi um milagre! Achas que curar o surdo foi um milagre espantoso? Não é nada comparado com o milagre da salvação.

Talvez já seja crente há algum tempo, mas tem escorregado na sua caminhada com Deus. Já não fala com ele como dantes. Não o ouve como dantes. Esta manhã, Jesus diz-lhe: “Abra-se!” Abre os teus ouvidos à maravilhosa verdade da palavra de Deus, mais uma vez. Abre a tua boca! Confessa o teu pecado a Deus e deixa que os teus lábios falem em louvor dele. Diz em voz alta para o mundo inteiro ouvir: “Eu creio que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo, que morreu e ressuscitou!” Confesse com os seus lábios que Jesus é o Senhor.

Deus chama-o a fazer alguma coisa, talvez a dar um passo em frente na fé ou a confiar nele de novas formas? Então ouça Cristo dizer-lhe: “Abre-te!” Esteja aberto para que Deus trabalhe na sua vida; esteja aberto para que o Espírito de Deus trabalhe em si; esteja aberto para a vontade de Deus, seja ela qual for.

Esta é a nossa palavra para hoje. Abre-te a Deus. Estejam abertos a Jesus. Ele é o Cristo. Ele é o Messias. Ele fez bem todas as coisas e fará bem todas as coisas. E quando Cristo conduz a vossa vida, não importa quão pedregoso seja o caminho que percorrem, o fim é sempre bom. Tudo irá bem e todas as coisas irão bem, porque Cristo é Deus e Cristo é bom. “Abre-te!” Esteja aberto a Deus e ao seu incrível amor por si.  Ámen.

P. Tomás Muzhuthett

«Os cachorrinhos comem debaixo da mesa as migalhas das crianças»

EVANGELHO SEGUNDO SÃO MARCOS 7,24-30 (08-02-24)

Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se para a região de Tiro e Sidónia. Entrou numa casa e não queria que ninguém o soubesse. Mas não pôde passar despercebido, pois logo uma mulher, cuja filha tinha um espírito impuro, ao ouvir falar dele, veio prostrar-se a seus pés. A mulher era pagã, siro-fenícia de nascimento, e pediu-Lhe que expulsasse o demónio de sua filha. Mas Jesus respondeu-lhe: «Deixa primeiro que os filhos estejam saciados, pois não está certo tirar o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos». Ela, porém, disse: «Senhor, também é verdade que os cachorrinhos comem debaixo da mesa as migalhas das crianças». Então Jesus respondeu-lhe: «Dizes muito bem. Podes voltar para casa, porque o demónio já saiu da tua filha». Ela voltou para casa e encontrou a criança deitada na cama. O demónio tinha saído.

Meditação da Palavra

Caros irmãos e irmãs em Jesus Cristo,

É importante lembrarmo-nos de dois princípios sobre os nossos sentimentos. Primeiro, não devemos tratá-los como se fossem a bússola infalível da nossa vida espiritual. Segundo, a sua falta de apoio não significa que Nosso Senhor nos esteja a abandonar. Podemos facilmente esquecer estes dois princípios e seguir cegamente os nossos sentimentos, persuasões e seduções. Podemos confundir erradamente sentimentos com fé. Esta mulher crente do Evangelho de hoje mostra muito bem a atitude que devemos manter. O seu exemplo de humildade perante a repreensão aparentemente hostil de Jesus deixa-nos verdadeiramente espantados. Sem rebelião, sem queixas, sem ressentimentos, sem festa de piedade. Ela mantém-se decididamente fixa em Cristo. Mantém um espírito de humildade e de fé naquele que tem o poder de libertar a sua filha do demónio. Sou capaz de persistir na minha oração, mesmo quando parece que Nosso Senhor se faz de surdo?

Jesus favorece um determinado grupo de pessoas? Não, Jesus não tem um grupo de favoritos. Jesus veio a este mundo não para salvar um determinado grupo de pessoas, mas cada um de nós: Pecadores, não pecadores, cristãos e não cristãos. No Evangelho, uma mulher grega, não judia e forasteira, foi ter com Jesus para pedir a cura da sua filha. O que é que Jesus fez? Testou a fé da mulher e, quando viu a sua grande fé, concedeu-lhe o pedido de cura para a filha.

O que é que isto nos diz sobre Jesus? Ele ama-nos, independentemente de quem somos e dos pecados que cometemos. O importante é irmos humildemente ter com Ele e estender-lhe a mão com fé. Se tivermos fé, nada é impossível para Ele. Jesus conceder-nos-á o que quisermos d’Ele, enquanto tivermos fé.

Quer que Jesus faça milagres na sua vida? Suplica-lhe humildemente e não te acanhes. Confie simplesmente n’Ele e abandone-se a Ele. No Seu tempo perfeito, Ele dar-lhe-á o que deseja.  Simplesmente acredita e tem fé. Amém.

P. Tomás Muzhuthett

Imagem retirada: https://combonianos.org.br/o-evangelho-da-cananeia/