Domingo XIII do Tempo Comum (Ano A)

Caríssimos irmãos e irmãs,

O Evangelho que acabámos de escutar apresenta-nos palavras de Jesus que podem parecer exigentes: «Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim.» Mas o Senhor não está a pedir-nos que amemos menos a nossa família. Está, sim, a ensinar-nos que Deus deve ocupar o primeiro lugar na nossa vida. Quando Cristo está no centro do nosso coração, aprendemos também a amar melhor aqueles que nos rodeiam.

Jesus convida-nos ainda a tomar a nossa cruz e a segui-Lo. A cruz não é apenas o sofrimento; é a fidelidade de cada dia. É cumprir os nossos deveres com amor, perdoar quem nos ofendeu, manter a esperança nas dificuldades, servir sem esperar recompensa. É nas pequenas escolhas diárias que mostramos se somos verdadeiramente discípulos de Cristo.

O Evangelho termina com um ensinamento cheio de esperança: «Quem der, ainda que seja um simples copo de água fresca, a um destes pequeninos, não ficará sem recompensa.» Para Deus, nenhum gesto de amor é pequeno. Uma palavra amiga, uma visita a quem está doente, um telefonema a quem vive sozinho, um sorriso sincero ou um acto de perdão têm um valor imenso quando são feitos por amor.

Por isso, deixo-vos um desafio muito concreto para esta semana: todos os dias, façamos um gesto de caridade consciente.Não precisa de ser um gesto extraordinário. Basta que seja feito com generosidade e por amor a Cristo. Talvez ajudar alguém sem que o peçam, escutar com paciência quem precisa de falar, reconciliar-nos com uma pessoa ou dedicar alguns minutos à oração por quem sofre.

Se cada um de nós viver assim o Evangelho, a nossa família será mais unida, a nossa comunidade mais fraterna e a nossa sociedade um pouco mais semelhante ao Reino de Deus.

Peçamos ao Senhor, nesta Eucaristia, a graça de O colocar sempre em primeiro lugar e de O servir com alegria em cada pessoa que encontramos no caminho.

Ámen.

Domingo XII do Tempo Comum (Ano A)

Caros irmãos e irmãs,

No Evangelho de hoje, Jesus repete três vezes: “Não tenhais medo.” É uma palavra que continua muito atual. Vivemos rodeados de preocupações, incertezas e receios acerca do futuro. Mas Cristo recorda-nos que a nossa vida está nas mãos do Pai.

A imagem mais bela deste Evangelho é talvez esta: “Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados.”Não significa apenas que Deus sabe tudo sobre nós. Significa que Deus cuida de nós com uma atenção infinita. Nada da nossa vida lhe é indiferente. As nossas alegrias, as nossas lágrimas, os nossos esforços escondidos, as nossas lutas interiores: tudo é conhecido e amado por Deus.

Por isso, o cristão não vive dominado pelo medo. A confiança nasce da certeza de que somos preciosos aos olhos do Senhor. Se Deus cuida dos pequenos pardais, quanto mais cuidará de cada um de nós, seus filhos.

Jesus convida-nos também a não ter vergonha de O reconhecer diante dos homens. Num mundo onde a fé é muitas vezes posta de lado, somos chamados a testemunhar Cristo com simplicidade, coragem e coerência, não apenas com palavras, mas sobretudo com a nossa vida.

Peçamos hoje a graça de confiar mais na providência de Deus. Quando surgirem as dificuldades, lembremo-nos desta palavra consoladora: até os cabelos da nossa cabeça estão contados. Somos conhecidos, amados e acompanhados pelo Pai. E quem vive nas mãos de Deus não tem nada a temer.

Ámen.

Domingo XI do Tempo Comum (Ano A)

 Mt 9, 36 – 10, 8

Caros irmãos e irmãs,

No Evangelho de hoje, São Mateus diz-nos que Jesus, ao ver as multidões, sentiu compaixão, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. A primeira atitude de Jesus não é julgar, nem condenar: é olhar com amor e misericórdia.

Esta compaixão leva-O a dizer aos discípulos: “A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos.”E depois envia-os em missão. Antes de enviar, Jesus vê; antes de pedir, ama; antes de mandar anunciar, compadece-Se do sofrimento das pessoas.

Há uma pequena história que ilustra isto. Conta-se que um homem caminhava por uma praia depois de uma tempestade. Milhares de estrelas-do-mar tinham ficado presas na areia. Um rapaz apanhava-as uma a uma e devolvia-as ao mar. O homem disse-lhe: “São tantas! Não vais conseguir fazer diferença.” O rapaz lançou mais uma estrela à água e respondeu: “Para esta, fez toda a diferença.”

Também nós podemos pensar que os problemas do mundo são demasiado grandes. Mas Jesus não nos pede que resolvamos tudo. Pede-nos que sejamos sinais do seu amor junto de quem está ao nosso lado: na família, no trabalho, na paróquia, junto de quem sofre ou se sente sozinho.

O Senhor continua hoje a chamar trabalhadores para a sua seara: sacerdotes, religiosos, missionários, mas também cada baptizado. Todos somos enviados a levar esperança, paz e o testemunho do Evangelho.

Peçamos nesta Eucaristia a graça de ter o olhar compassivo de Jesus e a disponibilidade dos Apóstolos, para que, onde estivermos, possamos fazer a diferença na vida de alguém.

Ámen.

Domingo X do Tempo Comum (Ano A)

Caros irmãos e irmãs,

No Evangelho de São Mateus (9, 9-13), vemos Jesus a passar e a chamar um homem que estava sentado na coletoria de impostos: Mateus. Ele não estava à procura de alguém perfeito, nem de alguém já preparado. Jesus simplesmente diz-lhe: “Segue-me”. E Mateus levanta-se e segue-O.

Este gesto é profundamente revelador. Mateus era um publicano, alguém visto como pecador, afastado da vida religiosa e social do seu povo. E, no entanto, é precisamente ele que Jesus escolhe. Isto mostra-nos que a vocação cristã não nasce de mérito, mas de um encontro com a misericórdia de Deus.

Depois, vemos Jesus sentado à mesa com publicanos e pecadores. Os fariseus escandalizam-se. Mas Jesus responde com palavras que são chave para a nossa vida espiritual: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Quero misericórdia e não sacrifícios”.

Aqui está o coração do Evangelho: Deus não se afasta do pecador, mas aproxima-se dele para o curar. E nós somos convidados a reconhecer que também precisamos dessa cura. Não somos chamados por sermos justos, mas para nos tornarmos justos através da graça.

A grande pergunta que este Evangelho nos deixa é simples: estamos nós dispostos a levantar-nos, como Mateus, e seguir Jesus, deixando para trás aquilo que nos prende? E também: somos nós capazes de olhar para os outros com o mesmo olhar de misericórdia de Cristo, em vez de julgamento?

Que esta Eucaristia nos ajude a ouvir de novo a voz de Jesus: “Segue-me”, e a responder com confiança, como Mateus, deixando-nos transformar pela Sua misericórdia.

Amen.