Ascensão do Senhor (Ano A)

Irmãos e irmãs,

No Evangelho de hoje, Jesus ressuscitado encontra-se com os discípulos no monte da Galileia. Alguns adoram-n’O, outros ainda duvidam. E isto é profundamente humano: a fé nem sempre elimina imediatamente todas as dúvidas. Mesmo assim, Jesus confia-lhes a maior missão da história: “Ide e fazei discípulos de todas as nações”.

A Ascensão do Senhor não significa que Jesus se afastou do mundo. Pelo contrário: Ele entra plenamente na glória do Pai para permanecer connosco de uma forma nova. Por isso termina dizendo: “Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos.”

Esta é a grande esperança da Igreja. Não caminhamos sozinhos. Cristo acompanha-nos nas alegrias e nas dificuldades, na missão e no cansaço, na família, no trabalho e na comunidade.

A Ascensão também nos recorda que a nossa vida tem um destino alto. Não fomos criados apenas para as coisas passageiras. O céu é a nossa meta. Mas enquanto caminhamos para o céu, Jesus envia-nos à terra: para testemunhar o Evangelho com palavras simples, com caridade concreta, com perdão, com verdade e com esperança.

Hoje, cada baptizado recebe novamente este envio: ser testemunha de Cristo no meio do mundo.

Que Maria, Senhora da Ascensão e Mãe da Igreja, nos ajude a viver com os pés na terra e o coração no céu.

Ámen.

Domingo VI da Páscoa (Ano A)

No Evangelho deste VI Domingo da Páscoa, Jesus deixa aos discípulos uma palavra que une amor, fidelidade e esperança:
“Se Me amais, guardareis os meus mandamentos.”

O amor cristão não é apenas sentimento ou emoção passageira. Amar Jesus significa viver como Ele viveu: perdoar, servir, permanecer na verdade, cuidar dos outros, especialmente dos mais frágeis. A fé torna-se concreta nas escolhas do dia a dia.

Mas Jesus conhece a fragilidade do coração humano. Por isso promete: “Não vos deixarei órfãos.” Ele anuncia o dom do Espírito Santo, o Espírito da Verdade, que permanece connosco e nos fortalece. Os discípulos irão enfrentar medo, perseguição e dúvidas, mas não caminharão sozinhos.

Também nós, tantas vezes, sentimos incerteza diante das dificuldades da vida, da família, da sociedade ou da própria fé. Este Evangelho recorda-nos que Cristo ressuscitado continua presente no meio do seu povo. O Espírito Santo ajuda-nos a reconhecer essa presença e a viver com coragem.

A grande promessa de Jesus é esta: “Eu vivo e vós vivereis.” A Páscoa não é apenas a memória de um acontecimento passado; é uma vida nova que começa já agora. Quem permanece unido a Cristo descobre que o amor é mais forte do que o medo, o pecado e até a própria morte.

Peçamos hoje ao Senhor a graça de um coração fiel: um coração que O ame não só com palavras, mas com a vida; um coração aberto ao Espírito Santo; um coração capaz de testemunhar a alegria da Ressurreição no meio do mundo.

Ámen.

Domingo V da Páscoa (Ano A)

Queridos irmãos e irmãs,

No Evangelho de hoje (Jo 14,1-12), Jesus diz-nos: “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende também fé em Mim… Eu sou o caminho, a verdade e a vida.”

Estas palavras foram ditas num momento difícil. Jesus sabia que os discípulos estavam com medo e confusos. Por isso, Ele não lhes dá explicações complicadas — dá-lhes uma certeza: “Não tenham medo. Confiai em Mim.”

Uma criança estava a viajar com o pai num comboio durante a noite. Lá fora estava tudo escuro, e o comboio passava por túneis longos e assustadores. A criança, com medo, perguntou ao pai: “Pai, como sabes que estamos no caminho certo se não vemos nada?”

O pai sorriu e respondeu: “Confio no maquinista. Ele conhece o caminho, mesmo quando nós não vemos.”

Assim também é na nossa vida. Muitas vezes não vemos claramente o caminho. Há dúvidas, dificuldades, momentos de escuridão. Mas Jesus diz-nos: “Eu sou o caminho.” Não é apenas alguém que nos mostra o caminho — Ele próprio é o caminho.

Seguir Jesus não significa ter todas as respostas, mas confiar n’Ele, mesmo quando não entendemos tudo. Como a criança confia no maquinista, também nós somos chamados a confiar em Cristo.

E mais ainda: Jesus diz que vai preparar-nos um lugar. Isto lembra-nos que a nossa vida não termina aqui. Há uma casa, há um destino, há um futuro em Deus.

Por isso, neste tempo pascal, renovemos a nossa fé. Não deixemos que o medo ou a dúvida dominem o nosso coração. Caminhemos com Jesus, confiando que Ele nos conduz, passo a passo, até ao Pai.

Ámen.