Domingo II da Quaresma (Ano A)

Irmãos e irmãs,

No Evangelho segundo São Mateus 17,1-9, somos levados ao monte da Transfiguração. Jesus revela a sua glória diante de Pedro, Tiago e João: o seu rosto resplandece, as vestes tornam-se brancas, e a voz do Pai proclama: «Este é o meu Filho muito amado… escutai-O.»

Este episódio acontece num momento decisivo. Jesus acabara de anunciar a sua paixão e morte. A Transfiguração não é uma fuga do sofrimento, mas uma luz que prepara os discípulos para a cruz. Antes da descida ao vale da dor, Deus concede-lhes um vislumbre da ressurreição, para que não percam a esperança.

Pedro quer ficar ali, fazer tendas, fixar o momento. Também nós, muitas vezes, gostaríamos de permanecer apenas nas experiências consoladoras da fé. Mas Jesus convida-nos a descer do monte, a segui-Lo no caminho concreto da vida, levando connosco a certeza de que a glória vem depois da entrega.

A mensagem é clara: escutai-O. Escutar Jesus é confiar n’Ele mesmo quando o caminho passa pela cruz. Se O escutarmos, a sua luz transforma também a nossa vida e faz de nós testemunhas de esperança no meio do mundo.

Que esta Eucaristia nos ajude a subir com Cristo ao monte, para depois descer com Ele, renovados e confiantes. Amen.

Igreja do Carmo acolhe retiro de Quaresma dedicado a São João da Cruz

A comunidade Carmelita da Igreja do Carmo, no Funchal, promove no próximo dia 14 de março de 2026, entre as 10h00 e as 15h00, um Retiro de Quaresma subordinado ao tema “Deus Escondido à Procura do Homem Perdido – Quaresma com São João da Cruz”.

A iniciativa propõe um tempo de recolhimento, oração e reflexão espiritual inspirado na doutrina mística de São João da Cruz, pai e mestre da espiritualidade carmelita. Partindo da experiência da “noite” e da busca de Deus na vida interior, o retiro convida os participantes a aprofundar o sentido quaresmal de conversão, silêncio e reencontro com Deus.

A orientação estará a cargo do Pe. Noé Martins, OCD, que conduzirá os momentos de meditação e partilha à luz da tradição do Carmelo.

O retiro decorrerá na Igreja do Carmo, no Funchal, e as inscrições podem ser efetuadas na secretaria.

A organização dirige o convite a todos os fiéis que desejem viver a Quaresma de forma mais intensa, num ambiente de oração e aprofundamento espiritual.

Domingo I da Quaresma (Ano A)

Irmãos e irmãs,

O Evangelho de hoje leva-nos ao deserto, lugar de silêncio, de provação e de encontro com Deus. Jesus, logo no início da sua missão, é tentado. Isto é profundamente consolador para nós: o Filho de Deus não se afasta da nossa condição humana, mas entra nela até ao fim, enfrentando as mesmas lutas que também nós conhecemos.

As tentações apresentadas a Jesus são muito concretas e muito actuais. A primeira é transformar pedras em pão: a tentação de reduzir a vida apenas às necessidades materiais, esquecendo que “nem só de pão vive o homem”. Quantas vezes também nós procuramos segurança apenas no que se pode comprar, possuir ou controlar?

A segunda tentação é a do poder e do prestígio: dominar, impor-se, ser reconhecido. Jesus recusa um caminho fácil e lembra-nos que só a Deus devemos adoração. É um convite a purificar as nossas intenções e a não fazer da fé um meio para benefício pessoal.

A terceira tentação é a de exigir provas de Deus, de O colocar à prova. Jesus responde com confiança humilde: Deus não precisa de ser testado, precisa de ser amado e escutado.

Neste tempo de Quaresma, o Evangelho chama-nos a ir também ao “deserto”: criar espaço para a oração, para a escuta da Palavra e para a conversão do coração. Como Jesus, não estamos sozinhos nas tentações. A Palavra de Deus é a nossa força, e a fidelidade ao Pai é o nosso caminho.

Que esta Eucaristia nos dê a graça de escolher, todos os dias, não o caminho mais fácil, mas o caminho que conduz à vida verdadeira. Amen.

Domingo VI do Tempo Comum (Ano A)

Caros irmãos e irmãs,

No Evangelho de hoje, Jesus diz-nos algo muito importante:

Ele não veio abolir a Lei, mas levá-la à sua plenitude. Ou seja, Jesus não se contenta apenas com o que é exterior; Ele olha para o coração.

A Lei dizia: “Não matarás.”

Mas Jesus vai mais longe e diz-nos que também a raiva, o ódio e a falta de reconciliação  ferem a vida. Quantas vezes não magoamos os outros — e a nós próprios — com palavras duras, com julgamentos, com silêncios cheios de ressentimento?

Por isso, Jesus pede-nos algo muito concreto:

Antes de te aproximares do altar, reconcilia-te.

Deus não quer apenas ritos bem feitos; quer corações reconciliados.

Depois, Jesus fala da verdade:

“Que o vosso sim seja sim, e o vosso não seja não.”

Num mundo onde tantas palavras são vazias, o cristão é chamado a viver com coerência,  verdade e simplicidade.

Este Evangelho recorda-nos que a fé não é apenas cumprir regras, mas viver o amor no dia a dia:

amar sem guardar rancor,

perdoar sem adiar,

falar com verdade e agir com justiça.

Peçamos hoje ao Senhor a graça de um coração novo ,

um coração que perdoa,

que reconcilia,

e que vive segundo o amor de Deus.

Ámen.

Domingo V do Tempo Comum (Ano A)

Sal da Terra e Luz do Mundo

(Mt 5, 13–16)

No Evangelho de hoje, Jesus dirige-Se aos Seus discípulos com palavras simples, mas exigentes: “Vós sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo.” Ele não diz “devereis ser”, mas “sois”. É uma identidade que nasce do encontro com Ele.

O sal não existe para si mesmo. Serve para dar sabor e para conservar. Quando o cristão perde o sabor do Evangelho — quando se acomoda, quando vive uma fé sem compromisso — torna-se, como diz Jesus, inútil. O mundo não precisa de cristãos escondidos ou indiferentes, mas de discípulos que deem sabor à vida com a verdade, a justiça e a caridade.

A luz também não chama a atenção para si. Serve para iluminar, para orientar, para afastar as trevas. Jesus diz que não se acende uma lâmpada para a esconder, mas para colocá-la no alto, a fim de iluminar todos. A nossa fé não pode ficar confinada à igreja ou ao espaço privado; ela deve tornar-se visível nas escolhas do dia-a-dia, no trabalho honesto, no perdão oferecido, na atenção aos mais frágeis.

Ser sal e ser luz não significa fazer coisas extraordinárias, mas viver o ordinário com amor. São pequenos gestos de fidelidade que revelam a presença de Deus no mundo. Quando as nossas obras são boas, não é para nossa glória, mas para que — como diz o Evangelho — “glorifiquem o Pai que está nos Céus.”

Peçamos hoje ao Senhor a graça de não perder o sabor do Evangelho e de não esconder a luz que recebemos no Baptismo. Que a nossa vida seja sinal vivo da presença de Deus, para que outros, ao verem as nossas obras, possam encontrar o caminho que conduz a Ele.

Amen.