Domingo I da Quaresma (Ano A)

Irmãos e irmãs,

O Evangelho de hoje leva-nos ao deserto, lugar de silêncio, de provação e de encontro com Deus. Jesus, logo no início da sua missão, é tentado. Isto é profundamente consolador para nós: o Filho de Deus não se afasta da nossa condição humana, mas entra nela até ao fim, enfrentando as mesmas lutas que também nós conhecemos.

As tentações apresentadas a Jesus são muito concretas e muito actuais. A primeira é transformar pedras em pão: a tentação de reduzir a vida apenas às necessidades materiais, esquecendo que “nem só de pão vive o homem”. Quantas vezes também nós procuramos segurança apenas no que se pode comprar, possuir ou controlar?

A segunda tentação é a do poder e do prestígio: dominar, impor-se, ser reconhecido. Jesus recusa um caminho fácil e lembra-nos que só a Deus devemos adoração. É um convite a purificar as nossas intenções e a não fazer da fé um meio para benefício pessoal.

A terceira tentação é a de exigir provas de Deus, de O colocar à prova. Jesus responde com confiança humilde: Deus não precisa de ser testado, precisa de ser amado e escutado.

Neste tempo de Quaresma, o Evangelho chama-nos a ir também ao “deserto”: criar espaço para a oração, para a escuta da Palavra e para a conversão do coração. Como Jesus, não estamos sozinhos nas tentações. A Palavra de Deus é a nossa força, e a fidelidade ao Pai é o nosso caminho.

Que esta Eucaristia nos dê a graça de escolher, todos os dias, não o caminho mais fácil, mas o caminho que conduz à vida verdadeira. Amen.