Domingo IV da Quaresma (Ano A)

O Evangelho de hoje apresenta-nos o encontro de Jesus com um homem cego de nascença. Os discípulos perguntam: “Quem pecou para ele nascer assim?” Mas Jesus muda completamente a maneira de olhar para aquela situação. Não se trata de procurar culpados, mas de deixar que as obras de Deus se manifestem.

Ao curar o cego, Jesus não lhe devolve apenas a vista física; oferece-lhe algo muito mais profundo: a luz da fé. O homem começa sem saber quem é Jesus, depois reconhece-O como profeta e, no final, encontra-se com Ele e proclama: “Eu creio, Senhor!” É um caminho de luz, um caminho de descoberta.

Curiosamente, quem vê fisicamente — os fariseus — acabam por mostrar que estão cegos no coração. Estão tão fechados nas suas ideias e certezas que não conseguem reconhecer a obra de Deus diante deles.

Este Evangelho convida-nos, neste tempo de Quaresma, a perguntar:
Como está a nossa visão interior?
Será que vemos verdadeiramente Deus a agir na nossa vida? Ou estamos também, às vezes, cegos pelo orgulho, pela rotina ou pela falta de fé?

A Quaresma é precisamente um tempo para deixar Jesus abrir os nossos olhos:

olhos para reconhecer a sua presença,
olhos para ver as necessidades dos outros,
olhos para caminhar na luz.

Neste domingo, chamado tradicionalmente Domingo da Alegria (Laetare), a Igreja recorda-nos que Cristo é a luz do mundo. Quem se encontra com Ele não permanece nas trevas.

Peçamos hoje ao Senhor:
“Senhor, que eu veja.”
Que Ele ilumine o nosso coração para que, como aquele homem curado, possamos também dizer com fé:
“Eu creio, Senhor.”