80 anos dos Carmelitas Descalços na Madeira

A comunidade dos Carmelitas Descalços do Funchal assinala, a 6 de novembro de 2026, os 80 anos da sua fundação. É um dia de louvor e de ação de graças por oito décadas de serviço à Igreja e ao povo madeirense.

A Ordem do Carmo acompanha a vida dos madeirenses quase desde o povoamento da ilha, sob a proteção do Escapulário de Nossa Senhora. Aqui viveram religiosos carmelitas e irmãs carmelitas. Quando partiram, ficaram as confrarias espalhadas pela ilha, e ainda hoje se veem sinais dessa presença em muitas igrejas paroquiais.

Os primeiros passos

Em 1933, D. Manuel Pereira Ribeiro, Bispo do Funchal, natural de Viana do Castelo e membro da Ordem Secular dos Carmelitas Descalços, começou a tratar da vinda dos Carmelitas para a ilha. Escreveu primeiro ao P. José Manharicua, superior do convento carmelita de Viana do Castelo. A 16 de julho de 1934 escreveu ao Padre Geral da Ordem, a quem ofereceu a Igreja do Carmo e a residência anexa para uma fundação na diocese. Antes da extinção das ordens religiosas, em 1834, a igreja tinha pertencido à Venerável Ordem Terceira do Carmo Calçado. Em 1922 fora agregada aos Carmelitas Descalços, por rescrito da Casa Generalícia de 3 de junho, executado por ordem do Bispo a 15 de agosto desse ano.

Várias circunstâncias atrasaram o desejo do Prelado. Só a 7 de janeiro de 1946 foi assinado o contrato entre a Confraria de Nossa Senhora do Carmo do Funchal e o Padre Provincial dos Carmelitas Descalços, que entregou a igreja e as suas dependências aos frades. Poucos dias depois, o diretor da Ordem Terceira, P. Lopes, reuniu o respetivo Conselho para organizar a vinda dos religiosos e as despesas com a instalação e as viagens. Todos concordaram, convictos de que a presença carmelita ajudaria a Ordem a crescer e a devoção a Nossa Senhora do Monte do Carmo a espalhar-se. Com a colaboração da Confraria, o projeto tornou-se realidade.

Vieram depois as autorizações necessárias: do Bispo do Funchal a 9 de janeiro, da Sagrada Congregação dos Religiosos a 28 de setembro e dos Superiores Maiores da Ordem a 4 de outubro de 1946. Ficou assim canonicamente erigida a comunidade carmelita do Funchal.

A chegada ao Funchal

A 4 de novembro de 1946 chegaram ao porto do Funchal Frei Constâncio do Menino Jesus, superior, Frei Benigno do Menino Jesus e Frei Aniceto do Divino Redentor, que foi nomeado professor do Seminário Diocesano. Ficaram no Paço Episcopal até dia 6. Nesse dia, festa de São Nuno de Santa Maria, mudaram-se para as instalações preparadas pela Confraria junto à Igreja do Carmo. É esta a data da fundação dos Carmelitas Descalços no Funchal.

Oito décadas de serviço

Durante sessenta anos seguidos, a Província de São Joaquim de Navarra, que restaurou a Ordem em Portugal, enviou religiosos para a Madeira. Com grande dedicação, atenderam confissões e deram catequese. Fundaram as Confrarias de Santa Teresinha e do Menino Jesus de Praga e erigiram a Ordem Secular em várias paróquias. Fizeram também a orientação espiritual de comunidades religiosas e visitaram os doentes.

Foi uma presença discreta, mas necessária. Isso viu-se sobretudo na renovação litúrgica do Concílio Vaticano II, que levou a obras no altar-mor e nos altares laterais da igreja, e no apoio ao Bispo nos tempos difíceis que se seguiram ao 25 de Abril. Os frades organizaram a catequese e acolheram e acompanharam espiritualmente jovens e estudantes nas suas instalações, sem nunca deixar o confessionário.

Foram dezenas os religiosos que por aqui passaram. Não receberam condecorações, mas deram a esta terra a sua vida, e alguns repousam no Cemitério de Nossa Senhora das Angústias. Hoje, a Província Portuguesa de Nossa Senhora do Carmo quer continuar ao serviço da Diocese do Funchal.

Neste aniversário, a comunidade carmelita dá graças a Deus e canta as Suas maravilhas. Pede a Nossa Senhora do Carmo que ajude todos a servir a Igreja ao estilo de Santa Teresa de Jesus.

Funchal, 6 de novembro de 2026

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