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«Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-se a tua vontade.»

Domingo de Ramos na Paixão do Senhor

Evangelho Segundo São Marcos (15, 1-39)
Naquele tempo, os príncipes dos sacerdotes reuniram-se em conselho, logo de manhã, com os anciãos e os escribas, isto é, todo o Sinédrio. Depois de terem manietado Jesus, foram entregá-l’O a Pilatos. Pilatos perguntou-Lhe: «Tu és o rei dos judeus?». Jesus respondeu: «É como dizes». E os príncipes dos sacerdotes faziam muitas acusações contra Ele. Pilatos interrogou-O de novo: «Não respondes nada? Vê de quantas coisas Te acusam». Mas Jesus nada respondeu, de modo que Pilatos estava admirado. Pela festa da Páscoa, Pilatos costumava soltar-lhes um preso à sua escolha. Havia um, chamado Barrabás, preso com os insurretos, que numa revolta tinham cometido um assassínio. A multião, subindo, começou a pedir o que era costume conceder-lhes. Pilatos respondeu: «Quereis que vos solte o rei dos judeus?». Ele sabia que os príncipes dos sacerdotes O tinham entregado por inveja. Entretanto, os príncipes dos sacerdotes incitaram a multidão a pedir que lhes soltasse antes Barrabás. Pilatos, tomando de novo a palavra, perguntou-lhes: «Então, que hei de fazer d’Aquele que chamais o rei dos judeus?». Eles gritaram de novo: «Crucifica-O!». Pilatos insistiu: «Que mal fez Ele?». Mas eles gritaram ainda mais: «Crucifica-O!». Então Pilatos, querendo contentar a multidão, soltou-lhes Barrabás e, depois de ter mandado açoitar Jesus, entregou-O para ser crucificado. Os soldados levaram-n’O para dentro do palácio, que era o pretório, e convocaram toda a corte. Revestiram-n’O com um manto de púrpura e puseram-Lhe na cabeça uma coroa de espinhos que haviam tecido. Depois começaram a saudá-l’O: «Salve, rei dos judeus!». Batiam-Lhe na cabeça com uma cana, cuspiam-Lhe e, dobrando os joelhos, prostravam-se diante d’Ele. Depois de O terem escarnecido, tiraram-Lhe o manto de púrpura e vestiram-Lhe as suas roupas. Em seguida levaram-n’O dali para O crucificarem. Requisitaram, para Lhe levar a cruz, um homem que passava, vindo do campo, Simão de Cirene, pai de Alexandre e Rufo. E levaram Jesus ao lugar do Gólgota, quer dizer, lugar do Calvário. Queriam dar-Lhe vinho misturado com mirra, mas Ele não o quis beber. Depois crucificaram-n’O. E repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte, para verem o que levaria cada um. Eram nove horas da manhã quando O crucificaram. O letreiro que indicava a causa da condenação tinha escrito: «Rei dos Judeus». Crucificaram com Ele dois salteadores, um à direita e outro à esquerda. Os que passavam insultavam-n’O e abanavam a cabeça, dizendo: «Tu que destruías o templo e o reedificavas em três dias, salva-Te a Ti mesmo e desce da cruz». Os príncipes dos sacerdotes e os escribas troçavam uns com os outros, dizendo: «Salvou os outros e não pode salvar-Se a Si mesmo! Esse Messias, o Rei de Israel, desça agora da cruz, para nós vermos e acreditarmos». Até os que estavam crucificados com Ele O injuriavam. Quando chegou o meio-dia, as trevas envolveram toda a terra até às três horas da tarde. E às três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte: «Eloí, Eloí, lemá sabactáni?», que quer dizer: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?». Alguns dos presentes, ouvindo isto, disseram: «Está a chamar por Elias». Alguém correu a embeber uma esponja em vinagre e, pondo-a na ponta duma cana, deu-Lhe a beber e disse: «Deixa ver se Elias vem tirá-l’O dali». Então Jesus, soltando um grande brado, expirou. O véu do templo rasgou-se em duas partes de alto a baixo. O centurião que estava em frente de Jesus, ao vê-l’O expirar daquela maneira, exclamou: «Na verdade, este homem era Filho de Deus».

Com os santos do Carmelo

Refere Santa Teresa…

No dia de Ramos, acabando de comungar, (…). O Senhor disse-me: “Filha, eu quero que o meu sangue te aproveite, e que não tenhas medo que a minha misericórdia te falte. Eu derramei-o com muitas dores e tu, como vês, gozas dele com grande deleite. Desta maneira, pago-te bem o banquete que me oferecias neste dia”. Falou assim porque, há mais de trinta anos, sempre que podia, eu comungava neste dia de Ramos e procurava preparar a minha alma para hospedar o Senhor. (Contas de Consciência 26).

Meditação…

Queres entender quem é Deus? Basta que te ajoelhes junto à cruz, dizia o grande teólogo Karl Ranher. A Cruz é sinal de redenção, sacrifício, esperança, libertação. Foi nela que o Redentor se entregou à morte por todos nós, estendendo assim o Reino de Deus a todos os povos. No percurso efetuado até chegar à cruz foi preciso derramar lágrimas e orar ao Pai para que tivesse força e não desistisse. Jesus sofreu as angústias e tristezas que o mundo nos oferece, tudo para aliviar as nossas dores e sofrimentos. Com a sua flagelação e os espinhos coloca-nos coragem para que não sejamos influenciados pela melancolia do mundo, e pelo seu desespero. Jesus ao morrer e ao entregar o seu espírito ao Pai, reanima-nos a esperança de uma vida eterna e aumenta a nossa fé na Ressurreição. Hoje Jesus continua em agonia e dor por muitos que sofrem, continua crucificado em todos os seus irmãos vítimas de guerras, de injustiças. Todos nós podemos participar na eterna paixão de Deus, se, tal como as mulheres no calvário, estivermos perto das cruzes dos nossos irmãos que mais sofrem. Abracemos os nossos irmãos e digamos a todos os que se sentem em tristeza que se lembrem da agonia de Jesus, por todos os que sofrem o sarcasmo de outros homens se lembrem da tortura de Jesus, os que perderam a vontade de viver, que se lembrem do brado de Jesus, por todos os que perderam a esperança que se lembrem da ressurreição de Jesus.

Frei David, Ocd

«Quem procura a verdade procura Deus»

DOMINGO V DA QUARESMA

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (Jo 12, 20-33)


Naquele tempo, alguns gregos que tinham vindo a Jerusalém para adorar nos dias da festa, foram ter com Filipe, de Betsaida da Galileia, e fizeram-lhe este pedido: «Senhor, nós queríamos ver Jesus». Filipe foi dizê-lo a André; e então André e Filipe foram dizê-lo a Jesus. Jesus respondeu-lhes: «Chegou a hora em que o Filho do homem vai ser glorificado. Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á, e quem despreza a sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém Me quiser servir, que Me siga, e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo. E se alguém Me servir, meu Pai o honrará. Agora a minha alma está perturbada. E que hei de dizer? Pai, salva-Me desta hora? Mas por causa disto é que Eu cheguei a esta hora. Pai, glorifica o teu nome». Veio então do Céu uma voz que dizia: «Já O glorifiquei e tornarei a glorificá-l’O». A multidão que estava presente e ouvira dizia ter sido um trovão. Outros afirmavam: «Foi um Anjo que Lhe falou». Disse Jesus: «Não foi por minha causa que esta voz se fez ouvir; foi por vossa causa. Chegou a hora em que este mundo vai ser julgado. Chegou a hora em que vai ser expulso o príncipe deste mundo. E quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim». Falava deste modo, para indicar de que morte ia morrer.

Com os santos do Carmelo

Refere Edith Stein…

“Querida Mãe, permita-me, Vossa Reverência, que me ofereça ao Coração de Jesus como vítima propiciatória pela verdadeira paz: que o poder do anticristo, se possível, caia sem uma nova guerra mundial, e que se estabeleça uma nova ordem de coisas. Gostaria de o fazer ainda hoje, agora que são 12 horas. Sei que não sou nada, mas Jesus quer isso, e certamente nestes dias chamará muitos outros para isso”. (Carta à Madre Ottilia Thannisch OCD, Etch, Domingo da Paixão, 26 de março de 1939).

Meditação

«Senhor, nós queríamos ver Jesus.» Alguns gregos são símbolo da nossa procura de Jesus. Que procuramos nós nas nossas vidas?  Edith Stein dizia que aquele que procura a verdade procura a Deus mesmo sem o saber. Contudo, esta procura de verdade pode ser acompanha de curiosidade, o que poderá levar a desilusões. A verdade que nos referimos é uma Verdade que se aplica a todos, é universal, é uma verdade que é capaz de unir. Uma verdade que nos liberta, não é uma verdade que cada um pode construir como Nietzsche dizia, mas a Verdade de uma pessoa, que se entregou e deu a sua vida por todos: Jesus Cristo. Quando procuramos a verdade devemos estar abertos aos desafios e exigências colocadas por essa procura, porque a Verdade só se manifestará quando de facto estamos com o coração humilde e verdadeiro. Mesmo que sejamos impulsionados pelo Espírito Santo e caminhemos com desejo de ver o rosto de Jesus, não significa que o que vamos ouvir e ver seja agradável. Todavia, Jesus é claro, vou morrer numa cruz e depois podereis olhar para mim, através da minha morte atrairei a muitos, ou seja, dará muitos frutos. Quem O quiser seguir esqueça-se de si mesmo e deixe tudo o que lhe prende. Jesus desafia-nos: se Me queres ver olha para a cruz e aí verás a vitória, aí tereis a vida, aí podereis ser glorificados. Jesus chama e atrai muitos, mas nem todos querem seguir as suas exigências. Esta é a verdade do cristianismo: a Cruz é o símbolo da salvação para todos. O que Jesus pede é que olhemos para ele. Olhando para ele, sem palavras, confessamos que ele é o centro e o sentido da nossa vida, o impulso das nossas obras, a meta do nosso caminho, a nossa vida!

Fr. David, Ocd

«Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho.»

Domingo IV da Quaresma (Laetare)

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João


Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna. Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem acredita n’Ele não é condenado, mas quem não acredita já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus. E a causa da condenação é esta: a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque eram más as suas obras. Todo aquele que pratica más acções odeia a luz e não se aproxima dela, para que as suas obras não sejam denunciadas. Mas quem pratica a verdade aproxima-se da luz, para que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus.

Com os santos do Carmelo

Refere São João da Cruz…

«Nesta união interior, Deus comunica-Se à alma com tanta vontade de amor, que não há afeto de mãe que acaricie o seu filho com tanta ternura, nem amor de irmão, nem amizade de amigo, que se lhe compare. […]. Como é grande a humildade e a doçura de Deus! […]. Ele aqui ocupa-se em consolar e acariciar a alma como a mãe cuida e consola o seu filhinho…» (Cântico Espiritual 27, 1)

Meditação

«Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho.» Isto é algo que é central no Evangelho de São João, é a frase que nos enche as medidas que nos assombra. Entre Deus e nós há uma só linha que nos une: o amor. É o caminho em que o céu entra em nós e nós no céu, é a ponte sobre o qual se encontram e se abraçam o finito e infinito. Ao dizer esta frase o nosso Deus quer dizer que somos muito importantes que temos um grande valor. Ao entregar o Seu Filho fez com que Ele habitasse no meio de nós e que ficasse connosco até aos fins dos tempos. Se Ele está connosco, então é bom recordar todos os dias que Ele nos acompanha nas nossas dificuldades e quando estamos desanimados. Deus está sempre connosco, porque nos ama. Jacques Maritain dizia que «precisamos de muito amor para viver bem». Portanto, não basta saber que Deus nos ama, é preciso também distribuir esse amor pelos irmãos. Porque o amor pode transformar muitas pessoas e ajudá-las a viver bem. Procuremos nesta Quaresma ter atos de amor por aqueles com quem nos cruzamos, aqueles que Deus nos coloca à frente para provar o nosso amor. Não desprezemos, não façamos medidas, não julguemos pelas aparências, não nos achemos superiores a ninguém, procuremos entender aquele que se aproxima e façamos atos de amor, com paciência, tolerância, ternura, misericórdia.

Frei David, Ocd

Imagem: creditos-AlessandroPhoto by Getty Images

Não faças do teu coração casa de comércio

Domingo III da Quaresma

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (Jo 2, 13-25)


«Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. Encontrou no templo os vendedores de bois, de ovelhas e de pombas e os cambistas sentados às bancas. Fez então um chicote de cordas e expulsou-os a todos do templo, com as ovelhas e os bois; deitou por terra o dinheiro dos cambistas e derrubou-lhes as mesas; e disse aos que vendiam pombas: «Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai casa de comércio». Os discípulos recordaram-se do que estava escrito: «Devora-me o zelo pela tua casa». Então os judeus tomaram a palavra e perguntaram-Lhe: «Que sinal nos dás de que podes proceder deste modo?». Jesus respondeu-lhes: «Destruí este templo e em três dias o levantarei». Disseram os judeus: «Foram precisos quarenta e seis anos para se construir este templo e Tu vais levantá-lo em três dias?». Jesus, porém, falava do templo do seu corpo. Por isso, quando Ele ressuscitou dos mortos, os discípulos lembraram-se do que tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra de Jesus. Enquanto Jesus permaneceu em Jerusalém pela festa da Páscoa, muitos, ao verem os milagres que fazia, acreditaram no seu nome. Mas Jesus não se fiava deles, porque os conhecia a todos e não precisava de que Lhe dessem informações sobre ninguém: Ele bem sabia o que há no homem».

Com os santos do Carmelo

Refere Santa Isabel da Trindade…

«Alma que quer servir a Deus noite e dia no seu templo, entendo nesse santuário interior, de que fala São Paulo, quando diz: «O templo de Deus é santo e vós sois esse templo», essa alma deve estar resolvida a comungar efetivamente na paixão do seu Mestre. É uma redimida, que deve resgatar outras almas por seu turno e, para isso, há de cantar na sua lira: «Glorifico-me na Cruz de Jesus Cristo. Com Jesus Cristo estou pregada à Cruz…». (Último Retiro, 13).

Meditação…

«…não façais da casa de meu Pai casa de comércio», seguindo estas palavras de Jesus podemos perguntar: que casa do Pai é esta? No Areópago São Paulo tinha dito que Deus não habita em santuários construídos pela mão do homem (cf. Act 17, 24) e o profeta também dizia algo semelhante: «que casa me haveis de construir, diz o Senhor, e qual será o lugar do meu repouso?» (Act 7, 48-49). Não podemos negar que os templos/Igrejas são lugares próprios para orar e louvar a Deus. Mas, Deus nunca precisou de templos para se mostrar, Ele se manifesta onde quer e como quer. Jesus ensina-nos que o verdadeiro templo de Deus é o nosso corpo é a nossa vida. Se olharmos para este templo encontramos, por vezes, um grande comércio. Não podemos fazer da nossa vida um mercado, nem a fé pode ser utilizada como instrumento mercantil. Por vezes pensamos que indo à Igreja, cumprindo esse gesto, acendendo aquela vela, dizendo aquela oração, fazendo aquela oferta, estamos bem, já fizemos o nosso dever, já demos e, agora, podemos esperar alguma coisa em troca. Desse modo nos transformamos em cambistas e Jesus derruba a nossa banca. O nosso Deus quer derrubar tudo aquilo que não leva a uma relação séria com Ele. Procuremos neste tempo de Quaresma arrumar, limpar as nossas bancas de toda a espécie de mercado mundano. Não precisamos de vender nada, pois já fomos comprados por um grande preço. Não precisamos de comprar nada, pois tudo o que Deus tem é gratuito. Não nos deixemos levar pelos barulhos dos mercantis, olhemos sim para o nosso interior e dêmos valor à vida.

Frei David, Ocd

Imagem retirada de: https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2021-03/reflexao-para-o-3-domingo-da-quaresma.html

Do caminho doloroso à gloria celeste

DOMINGO II DA QUARESMA

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos


Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e subiu só com eles para um lugar retirado num alto monte e transfigurou-Se diante deles. As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia assim branquear. Apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus. Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés, outra para Elias». Não sabia o que dizia, pois estavam atemorizados. Veio então uma nuvem que os cobriu com a sua sombra e da nuvem fez-se ouvir uma voz: «Este é o meu Filho muito amado: escutai-O». De repente, olhando em redor, não viram mais ninguém, a não ser Jesus, sozinho com eles. Ao descerem do monte, Jesus ordenou-lhes que não contassem a ninguém o que tinham visto, enquanto o Filho do homem não ressuscitasse dos mortos. Eles guardaram a recomendação, mas perguntavam entre si o que seria ressuscitar dos mortos.

COM OS SANTOS DO CARMELO

Refere Santa Isabel da Trindade…

«Pergunta-me, talvez, como o glorificar? É muito simples. Nosso Senhor dá-nos o segredo, quando nos diz: «O meu alimento é o de fazer a vontade d’Aquele que me enviou.» Ligue-se, pois, querida Senhora, às vontades deste Mestre adorável, encare cada sofrimento, assim como cada alegria, como provindo diretamente d’Ele e, então, a sua vida será como uma contínua comunhão, porque cada coisa se constituirá como um sacramento que lhe há de dar Deus».

Meditação…

Um escalador quando pensa subir uma montanha, prepara-se devidamente com o equipamento necessário, para que tudo corra da melhor maneira possível. Ao começar a escalada, depara-se com desafios e obstáculos e procura o melhor trajeto para não tropeçar nas armadilhas. Na medida que vai subindo, as pernas se vão tornando mais pesadas e o cansaço começa a acumular. Mas, ao recordar o seu objetivo lhe dá renovadas forças, revigora-se a esperança ao saber que o cume é possível alcançar. Quando chega ao cume, todo o seu cansaço é esquecido por um momento, porque desfruta da sua vitória e rejubila com aquilo que encontra. No cume podemos ter as melhores vistas, o sol radiante, a proximidade das nuvens. O monte é por si só o lugar onde pousa o primeiro raio de sol e onde se detém longamente o último.

Se olharmos para a nossa vida podemos dizer que é semelhante a um escalador. O caminho para o cume da santidade é desafiante e cheio de obstáculos. Para alcançarmos esse cume necessitamos de nos revestir com o equipamento necessário das virtudes e da Palavra de Deus, para que no caminho possamos superar toda a espécie de dificuldades que encontramos. Por mais que o caminho seja doloroso, e dependentemente da montanha que cada um suba, no cume de todas elas está reservado a maior beleza que o homem pode encontrar: a luz resplandecente e luminosa do amor de Deus. Aquela luz que brilha no coração do homem e que o deixa completamente inebriado. Sendo assim, podemos dizer, que bom é estar com este bom Deus. Aquele a quem o Pai diz: «Este é o meu Filho muito amado, escutai-O». Quando alcançarmos o objetivo, a meta que Deus nos propõe, todas as dores e dificuldades que tivemos desaparecem e são esquecidas, o cansaço transforma-se em vitalidade, a tristeza em alegria, a dor em felicidade, a morte em ressurreição.

Fr. David, Ocd

No deserto da vida Deus está…

DOMINGO I DA QUARESMA

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 1, 12-15)

Naquele tempo, o Espírito Santo impeliu Jesus para o deserto. Jesus esteve no deserto quarenta dias e era tentado por Satanás. Vivia com os animais selvagens e os Anjos serviam-n’O. Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a pregar o Evangelho, dizendo: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho».

Com os santos do Carmelo

Refere Santa Isabel da Trindade

«É aí, no mais profundo, que se operará o choque divino, que o abismo do nosso nada, da nossa miséria, se encontrará frente a frente com o Abismo da misericórdia, da imensidade do tudo de Deus. É aí que havemos de encontrar a força de morrermos para nós mesmos e que, ao perder o nosso próprio rasto, seremos transformados em amor…» (O Céu na Terra. Primeiro dia, 4)

Meditação…

A Quaresma é um tempo de maior encontro com Deus. Neste primeiro Domingo somos convidados a entrar mais adentro de nós mesmos. O deserto é um lugar de encontro mais profundo com Deus, mas, também, serve para quebrar com muitas correntes diabólicas. Foi no deserto que o povo hebreu venceu as perseguições do faraó e foi no deserto alimentado por Deus. Da mesma maneira Jesus, o novo Moisés, foi tentado e perseguido pelo inimigo, ao vencê-lo foi alimentado. O deserto é um lugar não desejado por muitos, mas muitos vivem em autênticos desertos, secos como terra árida sem qualquer gota de sentido da vida. O caminho da vida por vezes é árido e cheio de inimigos, mas é nas situações mais difíceis da vida que Deus se encontra e desafia-nos sempre a colocar os olhos n´Ele. Isto parece fácil, mas é aí que entra o Espírito Santo de Deus que nos impele a sair de nós mesmos e a irmos ao encontro de quem nos sacia a fome de infinito e nos alimenta com o maná no deserto das nossas vidas. Procuremos entender que é dentro de nós mesmos que habita Deus, é aí onde se realiza o encontro divino. Quem vive sem esta realidade cristã, vive no vazio e se vive no vazio vive num sem sentido, o nada não é a última coisa que se encontra no fim da vida, mas o abismo da misericórdia de Deus que no fundo da alma clama «estou aqui».

Fr. David, Ocd


Imagem:

Pintura flamenga

A tentação de Cristo · Joos or Josse de Momper
Private Collection / bridgemanimages.com

«O amor de Deus é a saúde da alma.»

DOMINGO VI DO TEMPO COMUM

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 1, 40-45)


Naquele tempo, veio ter com Jesus um leproso. Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe: «Se quiseres, podes curar-me». Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse: «Quero: fica limpo». No mesmo instante o deixou a lepra e ele ficou limpo. Advertindo-o severamente, despediu-o com esta ordem: «Não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho». Ele, porém, logo que partiu, começou a apregoar e a divulgar o que acontecera, e assim, Jesus já não podia entrar abertamente em nenhuma cidade. Ficava fora, em lugares desertos, e vinham ter com Ele de toda a parte.

Com os Santos do Carmelo…

Refere São João da Cruz…

«A razão é a seguinte: O amor de Deus é a saúde da alma. Quando não tem um perfeito amor, também não tem uma saúde perfeita; por isso, está doente. A doença não é outra coisa senão a falta de saúde; assim, quando não tem nenhum grau de amor, está morta. No entanto quando tem algum grau de amor de Deus, por mínimo que seja, já está viva, embora muito debilitada e doente por ser pouco o amor. Mas, à medida que o amor for aumentando, mais saúde terá; e quando chegar ao perfeito amor, perfeita será a sua saúde.» (CB 11, 11).

Meditação…

As atitudes que se aprendem com este Evangelho é o de aproximar-se de Jesus com confiança e com um coração humilde pedir-lhe o que mais necessitamos. Jesus veio para nos libertar de tudo aquilo que nos prende e que não nos deixa viver. Com Ele ninguém fica excluído, todos são chamados, todos tem o direito a receber o seu amor. Quando Deus toca, algo se transforma na nossa vida. Os ossos ressequidos se erguem do túmulo, a carne restabelece as suas formas originais, tudo se rejuvenesce com a palavra compadecida «Quero, fica limpo». Como é a nossa relação com este Deus que só deseja o nosso bem? Como é o nosso olhar para com o nosso semelhante? Jesus ensina-nos a olhar com compaixão a muitos que no mundo são marginalizados. Procuremos nesta Quaresma que se aproxima ter um coração misericordioso, confiante e humilde, não só para pedir por nós, mas por aqueles que ninguém se lembra, que ninguém reza, que ninguém olha.

Frei David, Ocd

«Jesus não se cansa de ensinar, curar e libertar»

DOMINGO V DO TEMPO COMUM

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 1, 29-39)


Naquele tempo, Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, a casa de Simão e André. A sogra de Simão estava de cama com febre e logo Lhe falaram dela. Jesus aproximou-Se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a e ela começou a servi-los. Ao cair da tarde, já depois do sol-posto, trouxeram-Lhe todos os doentes e possessos e a cidade inteira ficou reunida diante da porta. Jesus curou muitas pessoas, que eram atormentadas por várias doenças, e expulsou muitos demónios. Mas não deixava que os demónios falassem, porque sabiam quem Ele era. De manhã, muito cedo, levantou-Se e saiu. Retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar. Simão e os companheiros foram à procura d’Ele e, quando O encontraram, disseram-Lhe: «Todos Te procuram». Ele respondeu-lhes: «Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de pregar aí também, porque foi para isso que Eu vim». E foi por toda a Galileia, pregando nas sinagogas e expulsando os demónios.

Com os santos do Carmelo…

Refere São João da Cruz…

Buscando meus amores
Irei por esses montes e ribeiras,
Não colherei as flores,
Nem temerei as feras,
E passarei os fortes e as fronteiras.

A alma constata que, para encontrar o Amado, não bastam gemidos e orações, nem valer-se de bons medianeiros, como fez na primeira e na segunda canções. E, como o desejo com que O procura é verdadeiro e grande o seu amor, não quer deixar de realizar qualquer diligência que lhe seja possível, pois a alma que ama verdadeiramente a Deus não descansa sem fazer tudo quanto pode para encontrar o Filho de Deus, seu Amado. (Cb 3, 1)

Meditação

Caros irmãos e irmãs em Jesus Cristo,

Hoje a Santa Madre Igreja convida-nos a louvar Cristo, que continua a fazer o bem. Ele e os seus apóstolos cumpriram a sua missão como uma responsabilidade e não como um fardo ou apenas por um salário. Por isso, ele liberta-nos e chama-nos a servir os outros gratuitamente.

No Evangelho de hoje, Jesus não se cansa de ensinar, curar e libertar do poder das trevas as pessoas que dele se aproximam. Isto inclui a sogra de Pedro. Além disso, Jesus encarava o seu ministério como uma responsabilidade, e não principalmente como um ganha-pão. Por isso, acima de tudo, era apaixonado pelo povo e preocupava-se pelo seu bem-estar.

Tal como Jesus e Paulo, devemos encarar o nosso chamamento e a nossa missão como uma responsabilidade, e não como um fardo ou uma recompensa mundana monetária. Salário ou recompensa não se refere apenas a dinheiro ou coisas materiais. Procurar deliberadamente elogios para o nosso trabalho e missão é também uma forma de exigir salário. Se o fizermos, já recebemos o nosso salário. Assim, quando atraímos para nós uma atenção indevida pelo trabalho que fazemos, é também uma forma de receber um salário por aquilo que deveria ser apenas da nossa responsabilidade.

Paulo estava “espiritualmente doente” até ter encontrado Cristo de forma providencial. Este encontro transformou a sua vida e fortaleceu a sua fé. Por isso, dedica-se à pregação da Boa Nova. Este é o seu testemunho: “Por causa do evangelho, fiz-me tudo para todos, a fim de salvar alguns a qualquer custo e ter parte na sua bênção.” Assim, mais do que um salário, Paulo encara o seu chamamento como uma responsabilidade pela salvação dos outros. Era um pregador itinerante a tempo inteiro, sempre sedento da conversão de almas para Cristo.

Jesus pregava, curava e libertava as pessoas de todo o tipo de enfermidades e problemas. Ninguém o encontrava com fé sem ser curado. Se Jesus tem de nos curar, também nós temos de ter fé nele. Além disso, se a boa nova nos liberta, temos de acreditar nela.

O poder de Jesus continua a ser o mesmo hoje. Ele está pronto para curar aqueles que vêm a ele com fé. Está pronto a ter um encontro que muda a vida daqueles que estão dispostos a aproximar-se dele com humildade. Por isso, “louvemos o Senhor que cura os nossos corações despedaçados”.

A Escritura de hoje desafia-nos a escutar e a partilhar. Devemos seguir Jesus não só nos momentos felizes, mas também nos momentos de solidão e até de maior tribulação. Como ele, procuremos formas de chegar com amor às pessoas que estão preocupadas, doentes ou deprimidas – para deixar que o Senhor nos use para abençoar essas situações de alguma forma. Então, quando ele nos chamar para si, ter-nos-á deixado ser os seus olhos, o seu sorriso, os seus ouvidos e as suas mãos, trabalhando silenciosamente no mundo. 

Concluo com as palavras do Papa Francisco, somos chamados “a imitar o estilo de proximidade, compaixão e ternura de Deus…, a estar perto dos que sofrem e a fazer o que for possível para os aliviar, ou pelo menos para os fazer saber que não estão sós”.          Amém.

P. Tomás Muzhuthett, Ocd

Imagem retirada de: https://oratoriosaoluiz.com.br/evangelho-do-dia-a-cura-da-sogra-de-simao-mc-129-39l/

«Ensinava-os como quem tem autoridade»

DOMINGO IV DO TEMPO COMUM


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 1, 21-28)


Jesus chegou a Cafarnaum e quando, no sábado seguinte, entrou na sinagoga e começou a ensinar, todos se maravilhavam com a sua doutrina, porque os ensinava com autoridade e não como os escribas. Encontrava-se na sinagoga um homem com um espírito impuro, que começou a gritar: «Que tens Tu a ver connosco, Jesus Nazareno? Vieste para nos perder? Sei quem Tu és: o Santo de Deus». Jesus repreendeu-o, dizendo: «Cala-te e sai desse homem». O espírito impuro, agitando-o violentamente, soltou um forte grito e saiu dele. Ficaram todos tão admirados, que perguntavam uns aos outros: «Que vem a ser isto? Uma nova doutrina, com tal autoridade, que até manda nos espíritos impuros e eles obedecem-Lhe!». E logo a fama de Jesus se divulgou por toda a parte, em toda a região da Galileia.

Com os santos do Carmelo…

Refere Santa Teresa…

«Oh, meu Senhor, como mostrais que sois poderoso! Não é preciso buscar razões para o que quereis, porque, sem que a razão natural entenda, Vós tornais as coisas tão possíveis que mostrais bem que não é preciso mais nada senão amar-Vos verdadeiramente e deixar tudo por Vós.» (Vida 35, 13) Bendito e louvado seja o Senhor, fonte de todos os bens que falamos, pensamos e fazemos. Amém. (Caminho de Perfeição 42, 7)

Meditação…


«Ensinava-os como quem tem autoridade». A autoridade de Jesus impera pela sua coerência de vida. É uma autoridade que faz-se compreender, «quem tem ouvidos que ouça». A autoridade de Jesus não é autoritarismo ou uma espécie de clericalismo. Toda ela tem uma pedagogia, é a pedagogia do amor. O amor é a única autoridade que pode dar frutos nos corações, é uma autoridade coerente com a vida e com aquilo que acredita, é a coerência entre palavras e atos. O amor constrói amizades, alimenta relações, destrói barreiras, dissipa dúvidas, fortalece laços, origina vida e liberta acorrentados, «Que tens Tu a ver connosco, Jesus Nazareno?». Esta pedagogia leva Cristo a entrar nos nossos problemas de fundo: «o homem possesso, o homem que não sabe, que não quer, que não consegue ser livre». A obediência de Jesus Cristo levou-O à morte, morte esta paradoxal a todas as autoridades do mundo, pois, a sua verdadeira autoridade é a autoridade do amor, ou seja, só quem obedece pode agir com autoridade e só quem é «humilde, próximo e coerente é que pode conquistar autoridade e confiança juntos dos crentes» (cf. Papa Francisco). E nós, podemos ter esta autoridade? Sim podemos, «trata-se, não de dizer o Evangelho, mas de praticar o Evangelho, não tanto de proclamar uma notícia, mas de se tornar boa notícia.»

– Ermes Ronchi; Marina Marcolini. A esperança que nasce da Palavra. Paulinas: 2014, p. 115.

https://snpcultura.org/papa_elogia_humildade_proximidade_coerencia_na_igreja_e_censura_clericalismo.html

Liberta-te das tuas redes!

Domingo III do Tempo Comum ou Domingo da Palavra de Deus

Evangelho segundo São Marcos (1,14-20)

Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a proclamar o Evangelho de Deus, dizendo: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho». Caminhando junto ao mar da Galileia, viu Simão e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores. Disse-lhes Jesus: «Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens». Eles deixaram logo as redes e seguiram Jesus. Um pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco a consertar as redes; e chamou-os. Eles deixaram logo seu pai Zebedeu no barco com os assalariados e seguiram Jesus.

Com os santos do Carmelo

Refere Santa Teresa…

«Oh meu Senhor, se verdadeiramente Vos conhecêssemos, não faríamos caso de nada, porque muito dais a quem deveras se quer fiar de Vós! Acreditai, amigas, que é uma grande coisa entender esta verdade; assim, convencer-nos-emos de que os favores do mundo são todos uma mentira quando desviam um pouco a alma de andar dentro de si. Oh, valha-me Deus, se houvesse alguém capaz de vos fazer compreender isto! Com certeza que não serei eu, porque, apesar de me ver obrigada mais do que ninguém, não acabo de me compenetrar desta verdade como deveria.» (Caminho de perfeição 29, 3).

Meditação…

Através da proclamação da Palavra de Deus o coração que a recebe de boa vontade, mesmo no meio dos seus afazeres e coberto de redes que o impedem de avançar, pode deixar tudo e seguir pelo mar da graça e da fé. Jesus continua hoje a olhar para cada um de nós e com esse olhar ilumina o nosso coração coberto de redes que escurece e impede o nosso caminhar. O mar em que estamos envolvidos, que é o mundo, está cheio de perigos, «às vezes a sua água é amarga, às vezes salgada; às vezes é calma, às vezes turbulenta; está em constante mudança, nunca é estável; às vezes flui, às vezes reflui. Muitos grandes foram engolidos pelo seu abismo. O mergulhador nas profundezas prende a respiração, para não ser vomitado como uma haste de palha. O mar é um elemento sem lealdade. Não te fies nele; acabará por te afogar. É inquieto por causa do amor que dedica ao amigo. Às vezes faz rolar grandes vagalhões, às vezes ruge. Já que o mar não encontra o que deseja, como encontrarás nele um lugar de descanso para o coração? O oceano é um riacho que se ergue no caminho que conduz ao amigo; porquê, então, ficar aqui, contente, e nada fazer para ver o rosto de (…) [Cristo].» (Farid Ud-Din Attar, A conferência dos Pássaros, P. 35s). Segue-O e verás grandes coisas.

Frei David, Ocd